sábado, março 19, 2011

Japão

Quem me vai conhecendo sabe o quanto vou alargando o meu poder pessoal de empatia para com o outro, associado a uma crescente espiritualidade. Isto faz-me ler, ouvir e participar em comunidades que me ajudam a aplicar esta forma de estar na vida.

Nos últimos dias tenho aproveitado os meus tempos de condução para pensar no Japão, nos japoneses e nos seres humanos de todas as nacionalidades que habitam este país. Comecei por enviar os meus pensamentos aos 50 engenheiros que tentavam arrefecer o reactor nuclear, mas achava que era redutor pensar só neles. Entretanto, o nº de engenheiros aumentou para cento e tanto e alarguei o meu pensamento de força e coragem a todo esse cento. Vi uma reportagem na tv e percebi que continuava com pensamento redutor, tantas famílias a perder entes queridos, os que estava a viver em escolas, com água e alimentos racionados, o relato de um sr que falava sobre como as pessoas vivem cansadas pelas condições em que estão, o casal que procura o irmão e cunhado e até a rua onde moravam é dificil de identificar e o cão-herói que permaneceu ao lado da sua companheira ferida até serem socorridos. E vi como os socorristas pegavam com carinho nas crianças e fazem o seu trabalho sem hesitar e sem medo de serem irradiados também.
Percebi então que as minhas preces estavam a ser escassas e não muito estruturadas.

Hoje recebi duas cartas que talvez ajudem. Dizem assim:


"I have just returned from a trip "home" to Ghana and am slowly re-entering my life here. The change of pace, culture, lifestyle and rhythm takes a moment to adjust to.  I am always reminded when I travel of the power of contrast and how experiencing the rhythm of another culture provides an invaluable perspective on your life and choices. 
Since I have been back, I have been watching news reports on the earthquake and tsunami in Japan and the aftermath with the nuclear reactor.  I have been struck by the continual emphasis on fear and disaster in the media. As you watch and listen to stories of the people in Japan, many of you may have asked yourself "how can I best help", like I have.  So I wrote to Jennifer Rodriquez, a member of our own community who is living and teaching in Japan to ask her how we could best support our Japanese brothers and sisters at this time.  Read Jennifer's account in Feature Article.

Blessings and Expect a Miracle,
"


Letter from Japan by Healthier Living Community Member, Jennifer Rodriquez
nullJennifer Rodriguez is an American living in Japan for 5 years. She is an ESL Instructor (English as a Second Language) in Japan and a member of our community. This is what she had to say: 
"Things are stressful here because of the constant threat of radiation exposure but surprisingly the Japanese are remaining calm and despite what the mass media abroad says, no one is leaving en masse and people are facing the issue with a philosophical calm that I believe can only be possible of a country with a Buddhist background.  There's no rioting, looting, nor anger being expressed at the government.  People here continue to have faith and hope that the workers at the plant will find a way to cool those reactors and avert nuclear disaster.  And even with this big threat looming in the background, the Japanese carry on with their daily lives.
Being in Japan at this time and our connecting has been a powerful
lesson for me about believing and manufacturing optimism for
yourself even when all evidence points to there being no hope and
all logic seems to say you should lose hope.  I'm still in Tokyo
despite pleas from my family and friends to get out, because I
believe that all will turn out well in the end and I'm very hopeful.  I continue to believe and I believe the Universe sends me small messages not to lose hope.  
There are food shortages but somehow the supermarkets are still finding some way to get us fresh fish, vegetables and meat every day.  How?  I don't know.  It's almost like they pull it out of thin air.  Just when you think the food is going to run out, the next day they scrouge up some more from somewhere.  It just goes to prove that the Universe is really an abundant place even in the face of disaster!
Adoley, do you know what could really help in this moment?  If you rounded up all the members of your community and formed a special prayer circle to send energy and inspiration to all the workers at the Fukushima Power Plant that they persevere and find a way to cool those reactors and avert disaster.  Visualize Japan ending this threat safely and without horrible consequences.  See Japan as a happy country with the threat gone. 
I honestly believe that if you and all the conscious people of this planet did that, then some solution would present itself to the workers or arrive in some shape or form. 
The more positive collective energy we could get for Japan, the more it would help improve the situation and counterbalance all the negativity and sensationalism of the General Media which has just been shamelessly promoting panic and desperation about Japan.
The more spiritual leaders with communities such as yourself that you could contact and have them visualize and pray for a safe end to this threat, the more possibility of a better outcome.  Then that would be wonderful and give the situation more positive power.
....This is not for me but for the country of Japan and consequently the world at large.  If workers at that plant do not receive any kind of special help, they will not be able to continue forward and find a solution. Many of them have exposed themselves to unsafe levels of radiation and there's no doubt that at some point, they will contract cancer and die.  Yet they even though they know this, they selflessly devote themselves to concentrating on the task at hand and have accepted the risk of sacrificing their lives because they know that all humanity is at risk if they do not persevere. 
....I actually feel more positive about this situation and even though, it seems grim now, I have honest hope and faith that all will turn out in the end and this situation will end safely.  In part that's why I choose to stay and not run away.  I have faith." ~ Jennifer


Lua cheia de sábado é a maior dos últimos 18 anos - Sol

Lua cheia de sábado é a maior dos últimos 18 anos - Sol

domingo, fevereiro 13, 2011

terça-feira, janeiro 25, 2011

Mozart e a criatividade

A propósito de uma formação de coaching, na qual me envolvi recentemente, tenho ouvido falar da importância de ser criativo. A criatividade abre-noos a portas para novas e outras soluções quando as já experimentadas não resultam mais, quando o cenário muda sem estarmos a contar.
Uns dias depois, num programa de rádio transatlântico diziam que Mozart é uma excelente forma de exercitar o "músculo" (sim, é como um músculo que se treina!) da criatividade.
Hoje, o pai enviou isto!




De tanto ouvirem, estes senhores tornaram-se excelentes criativos

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Entrelaçar

Os amigos são assim, inspiradores dos nossos próprios pensamentos. A Joana enviou, eu "bloguei"!

“Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
(...)
- O que é que "estar preso" quer dizer - disse o principezinho?
(...)
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber – disse o principezinho. – Sabes, há uma certa flor... tenho a impressão que estou preso a ela...
(...) a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava – respondeu o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. – Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quando mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...
(...)
Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
(...)
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.”

Antoine de Saint-Exupéry, in "O Princepezinho", capítulo XXI

sábado, dezembro 18, 2010

O negócio da solidariedade

É Natal! Adoro o Natal! Adoro o crescente espírito ,que emerge em muitas pessoas, de amor pelo próximo, de partilha entre familiares e amigos,.Adoro a pureza de sentimentos que cada um coloca na compra dos presentes.
Nesta época somos também muito solicitados a comprar presentes solidários: são os cachecois solidários, os métodos de arredondamento para fazer crianças felizes, as bonecas rechonchudas que ajudam a adquirir material para instituições públicas... enfim, não faltam os exemplos que chegam até nós através de uma publicidade mais ou menos agressviva. Apelam de tal forma que tenho a certeza que, muitos de nós, sentimos até "ser pessoas menos boas" se não contribuirmos. Certo até determinada medida. 
Vejamos: em cada compra solidário que fazemos contribuímos com o respectivo IVA para o Estado que nos (des)governa. Bom, até neste ponto, nos tempos que correm, estaremos com toda a certeza a exercer um elevado acto de solidadiredade. Mas há mais. Sim! Em cada compra, quem vende tem o seu lucro e ainda "fica bonito na fotografia "ao enviar algum do seu lucro para actividades de solidariedade social. Melhor negócio quando revisto os impostos estas acções revertem a favor de quem praticou tão digno acto: entenda-se a grande cadeia comercial e não o comum consumidor que, como  seu coração solidário, contribui para uma grande rede do negócio da solidariedade.
Permitam-me acrescentar que sou completamente a favor da solidariedade, promotora da mesma e praticamnte também. Permitam-me sugerir: sejam directamente soidários com as instituições. Peçam recibo e revertem a favor dos vossos impostos também. Sem intermidiários neste negócio do bem fazer!