quarta-feira, novembro 19, 2014

O Sr J é mais que a sua HTA

O Sr J já frequenta a consulta de nutrição há algum tempo (anos!). É homem novo, mas já teve um AVC por conta da sua HTA, que tem origem numa doença renal. Importa recomendar-lhe o baixo consumo de sal, de carne e de peixe. Importa que beba muita água, aumente nos vegetais e na fruta. Importa muito que cumpra com a medicação, para a qual nem sempre tem disponibilidade financeira. Por isso importa que lhe sejam fornecidos alimentos e facilitadas outras condições para fazer face às circunstâncias do desemprego. Importa que seja ouvido naquilo que muitas vezes achei ser a ilusão de um novo emprego. Importam todos os cursos que fez que, sem saber, lhe traziam mais saúde, além da sabedoria, dadas as horas que caminhava para a eles chegar. Importa muito a sua mensagem de esperança quando hoje chega à consulta, sempre de sorriso nos lábios, de agenda na mão (mesmo durante os anos de desemprego) e nos diz agora que está de novo empregado, nas empresa em que tinha trabalhado há muitos anos. E que tem cantina e que tem ginásio! 
E eu digo: 
- O Sr J merece!
E ele responde:
- Todos merecem!
O Sr J importa no meu dia!

quinta-feira, outubro 23, 2014

A medida do amor

Não é mais forte nem mais fraco. 
Não é melhor o meu do que o teu. 
É o que completas em mim, o que completo em ti. 
É o que desperta e é despertado. 
É a complementaridade que pode nem ser do todo. 
O essencial é quanto basta.

quinta-feira, outubro 02, 2014

juntos

estavam ambos num daqueles estados de contentamento em que basta sorrir. mas tinham tanto para contar um ao outro que as palavras abundavam entre ambos e atropelavam-se entre temas e desculpas de interrupções e sorriam. não riam. sorriam na timidez de quem apetece gargalhar.

sábado, setembro 27, 2014

no aeroporto

passava pouco das 8h30 daquela manhã de agosto. acabara de chegar ao aeroporto e levava consigo um frenesim interno difícil de definir. sentia-o nos braços, no estômago, no peito. subia-lhe à face e sorria como quem respira.

as "chegadas" do aeroporto estavam apinhadas. havia muitas pessoas por todo o lado. os que chegavam, os que recebiam os recém-chegados e os que esperavam. distinguir entre uns e outros era uma questão de atenção. os sorrisos nas faces de uns ajudavam a perceber quem já tinha recebido os seus, as flores nas mãos de outros indicavam quem tinha chegado, as crianças nos colos dos pais uniam famílias que não se deviam separar.
e esperava. olhava para todo o lado para não escapar a recepção. teria já chegado? eram quase 9 da manhã, entretanto. estaria discretamente sentado? andaria já por ali?! não lhe escaparia por certo. passara-se bastante tempo desde a última vez que se haviam encontrado, mas não lhe escaparia por certo!
não escapou! perto das 9h lá vinha a sair da zona dos passageiros. cabelo negro, pólo bordeaux, mochila às costas, um saco na mão. caminhava com a cabeça erguida à sua procura. já o vira. ainda não tinha sido vista. sorria. sorria como quem respira. viram-se. seguiram-se alguns segundos que não lhe ficaram registados. são os dos passos até ao encontro de um com o outro. não se lembra dos passos. lembra-se dos sorrisos, de braços abertos, não exageradamente abertos, apenas o suficiente para se acolherem. acolheu-a. entregou-se. sentiram-se. e naquela abraço mergulhou para dentro do seu peito. e ficou lá. lá dentro ouviu um beijo sonoro e carnudo na sua bochecha direita. olharam-se com um sorriso que nasce nos olhos e desce até à boca. absorveu a sua cara com as mãos. ele entrou-lhe pelas mãos. olharam-se de novo. não tinha passado tempo algum e o aeroporto tinha desaparecido!

sábado, setembro 20, 2014

excerto de "O segredo de Compostela"

"O mestre explicara-lhe que desde tempos imemoriais, havia gente de sítios distantes, nomeadamente das Gálias, mesmo antes de aquelas terras pertencerem a Roma, que seguia o caminho das estrelas, orientada pela Via Láctea, em direcção ao mar da finis terrae, perto da villa onde viviam. - Mas o que vêm fazer, ao certo, a este lugar? - Nós vivemos num lugar mágico, o último reduto da Terra. É o lugar onde o Sol se põe todos os dias para, no seguinte, voltar a nascer.- Assim, os homens que querem fazer uma viagem interior, para crescerem espiritualmente como homens novos, seguem o caminho das estrelas e vêm render homenagem ao sol, para renascerem com ele na manhã seguinte. -Não entendo muito bem o que dizes... -Um dia, perceberás estes homens especiais, os peregrinos da Via Láctea. Os que viajam em busca da redenção interior, através de um caminho de perfeição. - E porque seguem a Via Láctea? - Porque simboliza o caminho das almas para o outro mundo. Numa noite de luz, repara como ela se orienta do lugar de onde o sol nasce para este lugar, onde se põe...- respondeu o Lívio, passeando o olhar através da abóbada celeste. -Não deve ser muito fácil esse caminho...Normalmente, parecem pedintes e malcheirosos. -É evidente! Os caminhos de perfeição são compostos por muitos escolhos...- Vêm com o único propósito de...se encontrarem a si próprios. Esse é o fim de qualquer peregrinação.”

domingo, setembro 14, 2014

Seja como for, Banda do Mar



Meu bem, você pra mim é privilégio (e elogio!)

Sorte grande de uma vez na vida (de uma, de duas, três e todas as vividas!)
Minha chance de ter alegria (n diria tanto! tenho a felicidade de várias alegrias!)
Não importa quando, como, onde (é que não importa mesmo! mas se o "quando" poder ser com intervalos pequenos será melhor ainda!)
Somos o nosso próprio rei  ... 


sexta-feira, setembro 12, 2014

Mais ninguém, banda do mar

"Mais Ninguém" recebe o prémio de canção mais viciante do fim do verão. Faz parte do disco estreia da "Banda Do Mar" grupo da tripla Mallu Magalhães e Marcelo Camelo (casal de músicos brasileiros residente em Lisboa) e Fred (o omnipresente baterista português, elemento dos Buraka, Orelha Negra, 5-30, e não sei quantas bandas mais).

E não é que faz sentido!!

sábado, setembro 06, 2014

ou um estado de arte

Mantende-vos juntos, 

mas nunca demasiado próximos: 
porque os pilares do templo 
elevam-se, distanciados, 
e o carvalho e o cipreste 
não crescem à sombra um do outro. 
.
in "O Profeta", de Khalil Gibran

sexta-feira, agosto 29, 2014

beijo

há beijos nas costas que se sentem no coração

Para cá desta porta

Para cá desta porta mora um sorriso que nasce no coração, sobe pelo peito e se abre na boca. Para cá desta porta os olhos brilham e a pele faz-se translúcida. Para cá desta porta há mais luz no lusco fusco da intimidade do que nos raios de luz que penetram do exterior. Para cá desta porta há mais estórias do que aquelas para as quais o nosso imaginário nos transporta ao olhar para lá desta porta!

domingo, agosto 24, 2014

Quanto vale o tempo?!

O que cabe em 2 anos?! Muitas histórias, aventuras e desventuras, preocupações e resoluções... 2 anos representam bastante tempo! Mas quanto vale o tempo que se sente que vem de ontem ou, no máximo, de há dois dias atrás e nele estão vividos 730 dias?! Vale o tempo?! Vale o que se sente?! O que vale?!

quarta-feira, agosto 20, 2014

100 passos ou 6 ou todos os sentidos



repleto de tudo o que enche a alma que habita o coração

paladares
cheiros e aromas
tacto
visão
sons
paixão e amor
tudo sentido
todos os sentidos

domingo, agosto 17, 2014

o pós dos bons momentos

os bons momentos têm destas coisas: eles próprios e os momentos seguintes! aqueles em que chegamos a casa e o que queremos é organizar de imediato as fotografias tiradas,partilhá-las, revê-las como que o momento ainda estivesse lá, reviver, sorrir, relembrar e ser feliz no presente! no já passou e no que se revive!

domingo, agosto 03, 2014

Quem bem se quer sempre se encontra!

Cena de filme! Daquelas situações que vemos na ficção, lemos nos livros e quando acontece na vida real é na dos outros! Mas hoje aconteceu a mim! Eia, eia!!
Fui atestar o depósito de gasolina do carro. Coisa que não gosto de fazer, mas tem que ser, aproveitando os fins de semana e o cartão e a promoção porque gasolina é um luxo. E lá fui cumprir a tarefa. Fila, grande fila, bombas em pré pagamento, que não dão jeito algum a quem quer atestar o depósito. Peço autorização para o fazer. Dão-me a autorização. Coloco uns 18 cêntimos e a bomba não desenvolve no abastecimento. Vou de novo pedir a autorização. O Sr confirma que está tudo ok. A aselhice é, portanto, minha! Insisto mais uma vez e desisto. Vou a outra bomba! Isto para quem não gosta da tarefa é o mínimo um bom motivo para se desistir dela, mais ainda quando ainda há alguma gasolina no depósito e se conhece um local onde fazem a tarefa por nós. Mas e a promoção?! Ah, nos tempos que correm a promoção pesa na decisão de ir a outra bomba de gasolina, da mesma marca, no caminho que se faz para casa. Lá vou. Bomba em pré pagamento. De novo! Menina aí não pode atestar. Só nas de baixo. Faço a manobra, não faço a manobra, sigo em frente e vou embora. Lá faço a manobra, luto com o mau feitio que cresce exponencilamente e lá me proponho à tarefa. 60 euros. Lá foram. Tem que ser! Hora de pagar e a promoção não dá. Um papel, outro papel e em ambos falta um dígito. Haja promoção e ainda tinha um terceiro papel para poder usufruir de dita, mas eis que o sr da caixa faz mal a operação e não consegue introduzir a promoção que deveria cair em cartão. Raios! Coriscos! E palavrões a saírem da minha cabeça, quando me dirijo para o carro. Devia ter mesmo deixado para amanhã e ir aos tais senhores simpáticos que fazem o processo por mim, excepto o pagamento, pois claro.
Mas lá ia eu de regresso para o carro, a pensar que pelo menos a tal tarefa que não gosto estava consumada e ouço:
- "BB! Minha BB!!"
Não fazia sentido estar a ouvir aquela expressão. Só a BB do coração me chama assim e não era hora nem dia, nem lugar para nos estarmos a encontrar!
Afinal era! Afinal, o fim de semana em que não seria possivel encontrar-nos fez-nos juntas. Por poucos minutos, certo! Mas o suficiente para o grande xi coração e para os risos e beijos e explicações de quem não gosta de meter gasolina e, ao que parece, nem ela era para estar ali naquele local, naquele momento. Mas estava. Estávamos!

Quem bem se quer sempre se encontra!

sexta-feira, agosto 01, 2014

grilo falante afónico

reconhecida como introspectiva, são constantes os diálogos com o meu grilo falante!
e não é que ele também ficou com voz radiofónica!? ouço-o lá do fundo, com voz seca e rouca!

quarta-feira, julho 30, 2014

Sem pio

Há momentos na vida em que nos faltam as palavras!
A rouquidão é um deles!
A oportunidade para o voto de silêncio quase meditativo.
Ou o corpo a pedir férias!