domingo, janeiro 18, 2015

carimbo no passaporte #Cambodja 2013-4

 Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade

Cambodja 2013-14

Este é para mim o carimbo mais bonito deste passaporte que me preparo para entregar às autoridades. A experiência no Cambodja foi fantástica, mas não é isso que me faz apreciar o carimbo. As experiências dos outros carimbos foram profundamente maravilhosas. Cada coisa no seu momento. Aprecio mesmo a estética deste carimbo. Mais: ele ocupa toda uma folha do passaporte, pela sua dimensão. Como os outros carimbos, ficou numa página aleatória do passaporte, mas nada se misturará com ele. É por isso, e porque ainda não voltei ao Cambodja desde então, um carimbo único neste meu passaporte!
O Cambodja representa uma das experiências mais diferenciadas da minha vida. Cultura diferente, comida diferente, religião diferente, monumentos diferentes, pessoas diferentes. Toda uma experiência diferente das vividas até então.
O Cambodja é quente, tropical. Tem riquexós que são taxis, mosteiros nos centro da capital e monges que se passeiam de robe alaranjado.
É duro. O Cambodja tem uma história recente dura, que ainda vive na população que se refaz nas ocupações do dia a dia.
O Cambodja tem um grande lago, o Tonlé Sap, no qual se navega por horas e onde se observam aldeias aquáticas de uma das populações mais pobres do planeta.
O Cambodja é demasiado ocidental em Siem Reap, mas conduz-nos a uma história secular em Angkor Thom, onde Vixnu, Ganesh, Shiva e Garuda convivem com Buda.
E no Cambodja já fazem umas maravilhosas massagens, quer com mãos, quer com peixinhos.
E tem uma gastronomia fantástica: leve, aromática, saborosa, divertida até!
O Cambodja tem crianças. Sim tem crianças que fazem parte do nosso imaginário ocidental e que tendemos romantizar, achando que ajudamos a comprar os postais ou pequenos objetivos que vendem na rua. Ajudaremos mais, com toda a certeza, não comprando, brincando com elas e estimulando as idas à escola. Podemos até ser mais activos e associar-nos a uma ONG específica para o efeito. Podemos apadrinhar até uma criança e acompanhar o seu desenvolvimento.
O Cambodja tem cambojanos com sonhos e objetivos, nos quais investem (com mais ou menos risco).
A voltar?! Quem sabe, já que quis o destino permitir-me observar Ankgor Wat apenas à distância.


Cambodja: entrada por Phnom Penh; saída pela fronteira com a Tailândia

carimbo no passaporte # China 2013

                    Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


                                                                      China 2013

Quatro horas contam, certo?! Ou melhor quarto horas em Pequim (aeroporto), um voo de duas horas e duas horas em Guangzhou (aeroporto) contam como estar na China, certo?!
Foi mais ou menos como ler a placa de um destino e dizer-se que se esteve lá! 
Bom, deu direito a carimbo no passaporte. Dava até direito a um dia inteiro no país, mas estava em trânsito para outro destino! Deu direito a estar naquele país! (e à data não sabia que haveria de lá voltar com alguma brevidade! Mas esse é um carimbo que ainda está para vir!).
Em Pequim estava com fome e muito sono, depois de um voo de cerca de 13 horas, vindo de Amesterdão, onde já tinha estado 7 horas em trânsito, depois de ter chegado de Lisboa, onde estive 5 horas no chão à espera desse voo, depois de ter ido para a capital portuguesa no dia anterior, numa viagem de comboio de 3 horas a partir do Porto. Memórias estas as de Pequim! Misturadas com a vontade de sair do aeroporto e visitar a capital chinesa, onde estava -7ºC. E tinha fome e não tinha onde comprar alimentos. Dormi num banco do aeroporto de Pequim.
Mas a estada na China foi pródiga de memórias! No voo que me ligou a Guangzhou experimentei o sonoro comer dos chineses e a limpeza das fossas nasais. Não sei se foi pura coincidência misturada com preconceito meu, mas aconteceu. Com higiene, diga-se! Já que todo o entulho nasal foi guardado num delicado lenço de papel.
Estive em duas cidades (aeroportos) na China! 
Guangzhou foi a segunda. Onde até já estive duas vezes, porque na viagem de regresso repeti esta cidade.
O melhor de Guangzhou foram as pessoas! Verdade! Mas não os chineses, que esses não tive a oportunidade de conhecer. Mas foram a Susana que se dirigiu a mim ao perceber que íamos fazer parte do mesmo grupo de viagem. Afinal até já conhecíamos uma pessoa em comum, encurtando assim a teoria dos seis amigos para apenas um! Com a Susana já estavam a Teresa, a Anabela e a Isabel. Nessa altura o Luís, que já viajava comigo desde Lisboa (embora só nos tenhamos conhecido em Amesterdão) assustou-se e pensou, com os botões dele, e disse para os meus ouvidos "isto vai ser uma viagem no feminino". "Melhor para ti do que para mim", respondi! E nem ele ainda sabia quanto!

carimbo no passaporte # Brasil 2008-9

Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Brasil 2008-2009

A data de entrada não deixa enganar! Este foi um Brasil natalício! A data de saída também deixa antever que este foi um Brasil de réveillon em Copacabana, com cerca de 2 milhões de pessoas e, talvez, o fogo de artifício mais memorável de todos os tempos!
Um Brasil em que o Natal se fez na varanda, com vestido fresco, por conta do calor.
Foi o Brasil da confeitaria Colombo, dos arcos da Lapa, do bondinho para Santa Teresa e do chop no largo do Guimarães. 
Visitou-se o Cristo (pela quarta vez), voltou a percorrer-se a trilha da praia vermelha e conheceu-se a interessante ilha fiscal.
Foi o Brasil de Paraty, do trilho do ouro, da cana do açucar, dos passeios e mergulhos no mar e dos banhos de lama.
Foi um Brasil de despedidas.

sábado, janeiro 17, 2015

carimbo no passaporte # Brasil 2007

Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Brasil 2007

Este foi um Brasil maravilhoso, na cidade maravilhosa e um saltinho a Iguaba e a Búzios.
O Brasil da Tijuca, do gigante adormecido, do Leblon, do Jardim Botânico, de Santa Teresa, de Niteroi.
O Brasil em que fui recebida com um vaso de flores e iniciei um turismo familiar com uma festa de aniversário. Este foi um Brasil de festas: de despedida de solteira e de casamento carioca.
Foi o Brasil da segunda visita ao Cristo (a primeira ocorreu num carimbo do anterior passaporte), das palmeiras mandadas plantar por D Pedro, do passeio em redor da lagoa, da segunda subida ao Pão de Açúcar (a primeira aconteceu no carimbo do anterior passaporte) e da descoberta de uma pequena trilha ao seu redor, ao longo da praia vermelha e que segue mar adentro.
Foi o Brasil dos pasteis de catupiry, do açaí, da mousse de chocolate, do bobó de camarão, do divinal camarão na moranga, da caipirinha de maracujá, do empadão e do doce de abóbora com cravinho.
O Brasil dos seus perigos sentidos pela ansiedade dos outros, numa inocência de quem se apaixona pelo Rio e se sente em casa. O Brasil de querer voltar!

carimbo no passaporte # Brasil 2004

O primeiro passaporte foi entregue às autoridades sem que o guardasse para recordação. Tinha carimbos da República Dominicana, da primeira viagem ao Brasil e do Japão!
Prestes a entregar o segundo, vou guardar aqui algumas memórias! A ver como me arranjo nisto, contando apenas com as próprias memórias, sem recurso a fotos, arquivos, nem perguntas aos demais viajantes. Vejamos o que a memória reteve.

Brasil 2004. 

O Brasil de Porto Galinhas, do Recife e de Olinda. 
O Brasil de quase quase perder o próprio passaporte, do biquini verde às bolinhas brancas (que já não tenho) e das havaianas verdes com borboletas cor de rosa (que ainda uso).
O Brasil de praia, mar e queijo grelhado na praia.
O Brasil do menino de 10 anos que não ia à escola e fazia chapéus e outro artesanato, em folhas de palmeira, para os turistas, a troco de alguns reais para ajudar a alimentar a família.
O Brasil da oferta da mini-boneca de trapos "da sorte" (apelidei-a eu!), que ainda está no compartimento das moedas da minha carteira.
O Brasil em que aprendi que o cravinho é uma boa especiaria para afastar o "mofo-deu-lhe" de atoalhados guardados em gavetões.
Um dos vários "Brasis" do passaporte. Mas isso eu ainda não sabia em 2004.

sábado, janeiro 03, 2015

2014-2015

Deixou 2014 antes dele terminar.

Criou um intervalo entre ele e 2015.







Chamou-se Berlim.



Envolveu-se com as suas histórias.
 
 

Chegou a 2015 nelas e na euforia de 1 milhão e 200 mil pessoas, que podem ser todas as suas possibilidades de um ano que se avizinha.



No regresso voltou ao limbo, ao hífen que está entre o 2014 e o 2015. Já não está num ano e ainda não assumiu o outro. Por enquanto o seu momento é esse.

E sim, chegou a fazer o balanço 2014 e foi tão fácil quanto respirar descobrir o seu melhor. E o seu pior também.

Algumas das resoluções de 2015 também já estão prontas.



Não todas, porque isto não tem que ser feito ao ritmo de quem come as passas às 12 badaladas. Curioso é que duas das três mais pensadas já estão quase concretizadas. E ainda está no limbo, no hífen que liga 2014 a 2015!

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Natal Amoroso

AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, dezembro 22, 2014

A profissão levou-me à televisão!

Se há área da vida em que sou flamejada por boas correntes é a área profissional!
Na passada semana dei uma pequena entrevista à TVI, que passou ontem no Jornal das 8h.
Diria que ficou muito bem!
Para quem quiser espreitar está aqui (minuto 10:32)

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Há dias com banda sonora



De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim, calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim

quarta-feira, novembro 19, 2014

O Sr J é mais que a sua HTA

O Sr J já frequenta a consulta de nutrição há algum tempo (anos!). É homem novo, mas já teve um AVC por conta da sua HTA, que tem origem numa doença renal. Importa recomendar-lhe o baixo consumo de sal, de carne e de peixe. Importa que beba muita água, aumente nos vegetais e na fruta. Importa muito que cumpra com a medicação, para a qual nem sempre tem disponibilidade financeira. Por isso importa que lhe sejam fornecidos alimentos e facilitadas outras condições para fazer face às circunstâncias do desemprego. Importa que seja ouvido naquilo que muitas vezes achei ser a ilusão de um novo emprego. Importam todos os cursos que fez que, sem saber, lhe traziam mais saúde, além da sabedoria, dadas as horas que caminhava para a eles chegar. Importa muito a sua mensagem de esperança quando hoje chega à consulta, sempre de sorriso nos lábios, de agenda na mão (mesmo durante os anos de desemprego) e nos diz agora que está de novo empregado, nas empresa em que tinha trabalhado há muitos anos. E que tem cantina e que tem ginásio! 
E eu digo: 
- O Sr J merece!
E ele responde:
- Todos merecem!
O Sr J importa no meu dia!

quinta-feira, outubro 23, 2014

A medida do amor

Não é mais forte nem mais fraco. 
Não é melhor o meu do que o teu. 
É o que completas em mim, o que completo em ti. 
É o que desperta e é despertado. 
É a complementaridade que pode nem ser do todo. 
O essencial é quanto basta.

quinta-feira, outubro 02, 2014

juntos

estavam ambos num daqueles estados de contentamento em que basta sorrir. mas tinham tanto para contar um ao outro que as palavras abundavam entre ambos e atropelavam-se entre temas e desculpas de interrupções e sorriam. não riam. sorriam na timidez de quem apetece gargalhar.

sábado, setembro 27, 2014

no aeroporto

passava pouco das 8h30 daquela manhã de agosto. acabara de chegar ao aeroporto e levava consigo um frenesim interno difícil de definir. sentia-o nos braços, no estômago, no peito. subia-lhe à face e sorria como quem respira.

as "chegadas" do aeroporto estavam apinhadas. havia muitas pessoas por todo o lado. os que chegavam, os que recebiam os recém-chegados e os que esperavam. distinguir entre uns e outros era uma questão de atenção. os sorrisos nas faces de uns ajudavam a perceber quem já tinha recebido os seus, as flores nas mãos de outros indicavam quem tinha chegado, as crianças nos colos dos pais uniam famílias que não se deviam separar.
e esperava. olhava para todo o lado para não escapar a recepção. teria já chegado? eram quase 9 da manhã, entretanto. estaria discretamente sentado? andaria já por ali?! não lhe escaparia por certo. passara-se bastante tempo desde a última vez que se haviam encontrado, mas não lhe escaparia por certo!
não escapou! perto das 9h lá vinha a sair da zona dos passageiros. cabelo negro, pólo bordeaux, mochila às costas, um saco na mão. caminhava com a cabeça erguida à sua procura. já o vira. ainda não tinha sido vista. sorria. sorria como quem respira. viram-se. seguiram-se alguns segundos que não lhe ficaram registados. são os dos passos até ao encontro de um com o outro. não se lembra dos passos. lembra-se dos sorrisos, de braços abertos, não exageradamente abertos, apenas o suficiente para se acolherem. acolheu-a. entregou-se. sentiram-se. e naquela abraço mergulhou para dentro do seu peito. e ficou lá. lá dentro ouviu um beijo sonoro e carnudo na sua bochecha direita. olharam-se com um sorriso que nasce nos olhos e desce até à boca. absorveu a sua cara com as mãos. ele entrou-lhe pelas mãos. olharam-se de novo. não tinha passado tempo algum e o aeroporto tinha desaparecido!

sábado, setembro 20, 2014

excerto de "O segredo de Compostela"

"O mestre explicara-lhe que desde tempos imemoriais, havia gente de sítios distantes, nomeadamente das Gálias, mesmo antes de aquelas terras pertencerem a Roma, que seguia o caminho das estrelas, orientada pela Via Láctea, em direcção ao mar da finis terrae, perto da villa onde viviam. - Mas o que vêm fazer, ao certo, a este lugar? - Nós vivemos num lugar mágico, o último reduto da Terra. É o lugar onde o Sol se põe todos os dias para, no seguinte, voltar a nascer.- Assim, os homens que querem fazer uma viagem interior, para crescerem espiritualmente como homens novos, seguem o caminho das estrelas e vêm render homenagem ao sol, para renascerem com ele na manhã seguinte. -Não entendo muito bem o que dizes... -Um dia, perceberás estes homens especiais, os peregrinos da Via Láctea. Os que viajam em busca da redenção interior, através de um caminho de perfeição. - E porque seguem a Via Láctea? - Porque simboliza o caminho das almas para o outro mundo. Numa noite de luz, repara como ela se orienta do lugar de onde o sol nasce para este lugar, onde se põe...- respondeu o Lívio, passeando o olhar através da abóbada celeste. -Não deve ser muito fácil esse caminho...Normalmente, parecem pedintes e malcheirosos. -É evidente! Os caminhos de perfeição são compostos por muitos escolhos...- Vêm com o único propósito de...se encontrarem a si próprios. Esse é o fim de qualquer peregrinação.”