domingo, março 08, 2015

O que os homens mais admiram nas mulheres

O título está no jornal O Observador e eu vou copiar tudo para aqui por ter de novo o prazer do sabor destas palavras!

Para alguns a pergunta foi como uma armadilha, para outros tão difícil como caminhar com uns sapatos de salto alto. Cem homens portugueses foramfotografados para a revista Máxima com uns stilletos desenhados por Luís Onofre em defesa da igualdade de géneros, e agora que o projeto vai ser colocado em molduras, numa exposição que inaugura dia 8 de março no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, deixámos dez desses homens manterem o que tinham calçado mas lançámos-lhes a questão: o que mais admiram nas mulheres?
“Admiro a capacidade de resistência e a capacidade de sofrimento, uma coisa que os homens têm muito menos”, começa por dizer João Tordo, não sabendo se essas características se explicam por “uma questão genética, histórica ou de sensibilidade”. “Admiro também a capacidade de se conseguirem organizar e fazer várias coisas ao mesmo tempo. As mulheres são mentalmente organizadas, enquanto os homens tendem a ser mais obsessivos. Como são mais obcecados, quando têm um problema qualquer, esse problema toma proporções cada vez maiores. Admiro ainda a capacidade para a empatia, uma qualidade importante para reconhecer o sofrimento alheio. Não só o sofrimento mas a alegria. As mulheres são muito mais atentas.”
Companheiro de profissão, o escritor Valter Hugo Mãe, talvez até por uma questão de apelido, não esquece o dom da maternidade: “Admiro que saibam o milagre dos filhos, que possam fazer duas coisas ao mesmo tempo e que, às vezes, me amem.”
Afonso Cruz, que se sentou num sofá qual Pensador de Rodin em saltos altos, para ser captado pela objetiva de Branislav Šimončík, não faz uma distinção de qualidades entre os sexos mas é sensível à questão da beleza feminina: “Falando do carácter ou da alma, que me parece ser definitivamente mais importante, não creio que existam virtudes especificamente femininas. Ou seja, aprecio a bondade, a inteligência, a temperança, o humor, independentemente do género. Por isso, acho que o que mais admiro numa mulher é o corpo, com quem a Natureza (ou o Demiurgo, para quem crê) teve preocupações artísticas. Com os homens foi um bocadinho mais desleixada. Só para dar um exemplo: não precisávamos de pelos no peito.”
As questões anatómicas foram sublinhadas por vários homens interpelados pelo Observador. Veja-se o jornalista João Miguel Tavares: “O que eu mais admiro nas mulheres? Isso é claramente uma pergunta armadilhada. Aquilo que verdadeiramente faz as mulheres serem mulheres são questões anatómicas dignas da maior admiração. Só que, infelizmente, elas não podem ser explicitadas sem um homem correr o risco de parecer deselegante e primário.
Qualquer resposta está, por isso, condenada ao fracasso. Por um lado, se eu disser que aquilo que mais gosto numa mulher são determinados detalhes da sua anatomia, serei imediatamente acusado de misoginia e de objetificação. Por outro lado, se disser que são determinados traços do seu carácter, serei imediatamente acusado de generalização abusiva e de promoção de estereótipos.
Ora, isto só pode significar uma coisa: que esta pergunta foi inventada por uma mulher. E é isso que eu mais admiro nelas: a capacidade que têm de nos empurrarem para becos sem saída, de onde só podemos sair derrotados, de cabeça baixa e rendidos aos seus ardis. Ah, as sereias…”
Ah, as saboneteiras, diz antes Kalaf, dos Buraka Som Sistema: “Admiro a forma ténue, o olhar e os gestos subtis que, sem necessidade de palavras, conseguem carregar uma força transformadora e me fazem querer ser um homem melhor. Admiro-lhes a perspicácia, a sensualidade e a beleza que se estende além dos atributos físicos. E seguindo a linha de pensamento do poeta Vinicius, que tão acertadamente afirmou ‘nádegas é importantíssimo. Grave, porém, é o problema das saboneteiras. Uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes’, nomeio as saboneteiras – termo brasileiro que identifica as pequenas cavidades entre o pescoço e os ombros, área cientificamente denominada de triângulo supraclavicular — como uma das partes do corpo feminino que mais admiro.”
Criado há um ano, no Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2014, para lutar pelos direitos femininos, o projeto da revista Máxima 100 Homens, Sem Preconceitos – Um Passo pela Igualdade, parece ter deixado marcas em todos os homens retratados, de músicos a cientistas, passando por atores, atletas, modelos e médicos – e não só nos pés apertados por sapatos em bico.
“O que mais admiro nas mulheres é o facto de não serem menos que os homens”, diz David Santos, mais conhecido pelo nome artístico que assume quando pega na guitarra e canta ao microfone — Noiserv.
Ljubomir Stanisic, apesar do ar guerreiro com que segura num gancho e domina um enorme atum na arca frigorífica do seu restaurante 100 Maneiras, reconhece uma força suprema ao outro sexo: “O que mais admiro numa mulher é o poder de dizer um não redondo — há poucas pessoas que têm coragem de dizer não. As mulheres são fascinantes exatamente porque são mulheres, não devem querer ser homens.”
Se não fossem mulheres, não seriam metades tão capazes de completar o sexo oposto, sugere o apresentador Manuel Luís Goucha: “O que mais admiro nas mulheres é o que me acrescentam enquanto homem.”
Pedro Lima, por sua vez, volta aos atributos femininos, mais precisamente à “beleza”: “[Admiro a forma] como acordam, como se movem, como respiram, como olham, como pensam, como agem, como sorriem, como choram, como sofrem, como sentem saudades… Como tornam a vida de todos nós mais bela.”
Uma qualidade sublinhada igualmente pelo também ator Pedro Teixeira, que remata: “O que mais admiro nas mulheres é a personalidade, a beleza, a garra, a força… O simples facto de serem mulheres.”
Para admirar estes e outros 90 homens com mais dez centímetros de altura, anote estas datas: 100 Homens Sem Preconceitos – Um Passo Pela Igualdade, inaugura dia 8 de março, às 18h00, no Centro Cultural de Belém. A exposição está aberta ao público entre 9 de março e 2 de abril, das 10h00 às 18h00, e é de entrada livre. Ao mesmo tempo, é lançado um livro com objetivos muito mais do que decorativos: todas as receitas angariadas com cada exemplar, assim como com a venda das fotografias expostas, reverte a a favor da associação Laço, que trabalha na prevenção e apoio às mulheres com cancro da mama.
Porque também se pode admirar isto: as mulheres, juntamente com os homens, fazem as coisas acontecer.

segunda-feira, março 02, 2015

o velório

as árvores sobressaíam da paisagem nocturna, entre o nevoeiro e a chuva leve, porém constante. eram árvores despidas de verde, que exibiam compridos ramos nus, mais pareciam unhas longas, pintadas de preto, saídas de dedos esguios, vindos de mãos finas.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

carimbo no passaporte # 2015-2020


Cá está ele! O novo passaporte! Eletrónico! Prontinho para novos carimbos, que é como quem diz "novas aventuras"! Os dois (ou três) primeiros carimbos já estão planeados! Quantos mais lhe caberão entre 2015 e 2020?!

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

domingo, janeiro 18, 2015

Carimbo no passaporte # Tailândia 2014

 Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Tailândia 2014

Esta foi para mim umas das entradas mais memoráveis na fronteira de um país. E uma saída da fronteira de um país também. 
(E de repente lembrei-me também das memoráveis travessias entre Portugal e Espanha, quando ainda haviam fronteiras e o bacalhau era mais barato do lado de lá e tinha que vir escondido na mala e eu tinha p'raí uns 4 anos e não percebia o motivo de tanto secretismo. Os adultos ficavam nervosos. Eu ficava nervosa pelo nervosismo dos adultos e por não perceber nada do que se estava a passar. E se descobrissem a minha boneca? Era tão mau quanto o bacalhau? E se descobrissem os rebuçados de laranja e limão?! Bom, mas isso nunca deu direito a carimbo no passaporte!)
Voltando à Tailândia, ou melhor, voltando ao Cambodja, que foi por lá que entrei na Tailândia. A pé!
A carrinha que nos levou de Siem Reap à fronteira com a Tailândia não passaria a fronteira. Deixou-nos uns metros antes. Pegamos nas malas e lá fomos num "follow the leader", como já estávamos habituados!
Uns bons minutos para as burocracias da saída - muitos turistas, muito calor. Tudo em ordem. "Follow the leader". Arrasta mala. Sobe escada. Nova fila. Longa fila. O costume, diz o líder. Melhor até que no ano anterior, em que demoraram umas 5 horas. Muito melhor, acho que demoramos umas duas horas. Conversamos uns com os outros, conversamos com os outros dos outros, comemos, havia quem jogasse sudoku. Arrasta mala. Empurra para não passarem à frente - não sou boa nestas coisas!
Estava quase! A ansiedade aumentava! Para que lado vou?! Quero tirar uma fotografia aos pezinhos amarelos que estão impressos no chão, uns metros antes do guiché. Não sou capaz. Estou ansiosa!
Lá fui! Carimbo no passaporte! Lá vieram os outros também!
Depois de descobrirmos uma nova carrinha onde coubéssemos todos e as malas lá fomos para Banguecoque.
Demorei a perceber de que lado se conduz na Tailândia. Havia trânsito. A viagem foi quase toda em contra-mão...
Banguecoque foi, no início, um soco no estômago. Chegada do Cambodja, dos templos de Angkor misturados com as raízes das árvores e entrar naquela gigantesca metrópole não me trouxe amor ao primeiro respiro poluído.
Aos poucos fui-me deixando conquistar. Uma massagem tailandesa ajudou. A gastronomia tailandesa ajudou. Os monumentos ajudaram. O passeio de barco ajudou.
E a cerimónia das almas?! A cerimónia em que os monges saem do mosteiro ao acordar da aurora, descalços, com uma espécie de marmitas no colo e recebem as ofertas de alimentos que que deseja está lá à porta para oferecer. E feliz de mim, completamente conquistada pelo momento, por Banguecoque, que fui chamada por uma delicada sra, que me deu um saquinho de arroz e outro de algo que me pareceu uma carne estufada. Apontou para o monge que estava mais longe de nós, o mais idoso de todos. Segurava-se num andarilho, tinha um colar na cervical e uma cinta a apoiar o resto das costas. Fui, descalça, fazer-lhe a minha oferta, abençoada já pelo que via e por ter tido a oportunidade de lhe levar os saquinhos com comida. Ofereci. Coloquei-me em posição para ser abençoada por ele também. Regressei ao meu grupo com um sorriso vertical, dos pés à cabeça!

carimbo no passaporte #Cambodja 2013-4

 Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade

Cambodja 2013-14

Este é para mim o carimbo mais bonito deste passaporte que me preparo para entregar às autoridades. A experiência no Cambodja foi fantástica, mas não é isso que me faz apreciar o carimbo. As experiências dos outros carimbos foram profundamente maravilhosas. Cada coisa no seu momento. Aprecio mesmo a estética deste carimbo. Mais: ele ocupa toda uma folha do passaporte, pela sua dimensão. Como os outros carimbos, ficou numa página aleatória do passaporte, mas nada se misturará com ele. É por isso, e porque ainda não voltei ao Cambodja desde então, um carimbo único neste meu passaporte!
O Cambodja representa uma das experiências mais diferenciadas da minha vida. Cultura diferente, comida diferente, religião diferente, monumentos diferentes, pessoas diferentes. Toda uma experiência diferente das vividas até então.
O Cambodja é quente, tropical. Tem riquexós que são taxis, mosteiros nos centro da capital e monges que se passeiam de robe alaranjado.
É duro. O Cambodja tem uma história recente dura, que ainda vive na população que se refaz nas ocupações do dia a dia.
O Cambodja tem um grande lago, o Tonlé Sap, no qual se navega por horas e onde se observam aldeias aquáticas de uma das populações mais pobres do planeta.
O Cambodja é demasiado ocidental em Siem Reap, mas conduz-nos a uma história secular em Angkor Thom, onde Vixnu, Ganesh, Shiva e Garuda convivem com Buda.
E no Cambodja já fazem umas maravilhosas massagens, quer com mãos, quer com peixinhos.
E tem uma gastronomia fantástica: leve, aromática, saborosa, divertida até!
O Cambodja tem crianças. Sim tem crianças que fazem parte do nosso imaginário ocidental e que tendemos romantizar, achando que ajudamos a comprar os postais ou pequenos objetivos que vendem na rua. Ajudaremos mais, com toda a certeza, não comprando, brincando com elas e estimulando as idas à escola. Podemos até ser mais activos e associar-nos a uma ONG específica para o efeito. Podemos apadrinhar até uma criança e acompanhar o seu desenvolvimento.
O Cambodja tem cambojanos com sonhos e objetivos, nos quais investem (com mais ou menos risco).
A voltar?! Quem sabe, já que quis o destino permitir-me observar Ankgor Wat apenas à distância.


Cambodja: entrada por Phnom Penh; saída pela fronteira com a Tailândia

carimbo no passaporte # China 2013

                    Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


                                                                      China 2013

Quatro horas contam, certo?! Ou melhor quarto horas em Pequim (aeroporto), um voo de duas horas e duas horas em Guangzhou (aeroporto) contam como estar na China, certo?!
Foi mais ou menos como ler a placa de um destino e dizer-se que se esteve lá! 
Bom, deu direito a carimbo no passaporte. Dava até direito a um dia inteiro no país, mas estava em trânsito para outro destino! Deu direito a estar naquele país! (e à data não sabia que haveria de lá voltar com alguma brevidade! Mas esse é um carimbo que ainda está para vir!).
Em Pequim estava com fome e muito sono, depois de um voo de cerca de 13 horas, vindo de Amesterdão, onde já tinha estado 7 horas em trânsito, depois de ter chegado de Lisboa, onde estive 5 horas no chão à espera desse voo, depois de ter ido para a capital portuguesa no dia anterior, numa viagem de comboio de 3 horas a partir do Porto. Memórias estas as de Pequim! Misturadas com a vontade de sair do aeroporto e visitar a capital chinesa, onde estava -7ºC. E tinha fome e não tinha onde comprar alimentos. Dormi num banco do aeroporto de Pequim.
Mas a estada na China foi pródiga de memórias! No voo que me ligou a Guangzhou experimentei o sonoro comer dos chineses e a limpeza das fossas nasais. Não sei se foi pura coincidência misturada com preconceito meu, mas aconteceu. Com higiene, diga-se! Já que todo o entulho nasal foi guardado num delicado lenço de papel.
Estive em duas cidades (aeroportos) na China! 
Guangzhou foi a segunda. Onde até já estive duas vezes, porque na viagem de regresso repeti esta cidade.
O melhor de Guangzhou foram as pessoas! Verdade! Mas não os chineses, que esses não tive a oportunidade de conhecer. Mas foram a Susana que se dirigiu a mim ao perceber que íamos fazer parte do mesmo grupo de viagem. Afinal até já conhecíamos uma pessoa em comum, encurtando assim a teoria dos seis amigos para apenas um! Com a Susana já estavam a Teresa, a Anabela e a Isabel. Nessa altura o Luís, que já viajava comigo desde Lisboa (embora só nos tenhamos conhecido em Amesterdão) assustou-se e pensou, com os botões dele, e disse para os meus ouvidos "isto vai ser uma viagem no feminino". "Melhor para ti do que para mim", respondi! E nem ele ainda sabia quanto!

carimbo no passaporte # Brasil 2008-9

Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Brasil 2008-2009

A data de entrada não deixa enganar! Este foi um Brasil natalício! A data de saída também deixa antever que este foi um Brasil de réveillon em Copacabana, com cerca de 2 milhões de pessoas e, talvez, o fogo de artifício mais memorável de todos os tempos!
Um Brasil em que o Natal se fez na varanda, com vestido fresco, por conta do calor.
Foi o Brasil da confeitaria Colombo, dos arcos da Lapa, do bondinho para Santa Teresa e do chop no largo do Guimarães. 
Visitou-se o Cristo (pela quarta vez), voltou a percorrer-se a trilha da praia vermelha e conheceu-se a interessante ilha fiscal.
Foi o Brasil de Paraty, do trilho do ouro, da cana do açucar, dos passeios e mergulhos no mar e dos banhos de lama.
Foi um Brasil de despedidas.

sábado, janeiro 17, 2015

carimbo no passaporte # Brasil 2007

Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Brasil 2007

Este foi um Brasil maravilhoso, na cidade maravilhosa e um saltinho a Iguaba e a Búzios.
O Brasil da Tijuca, do gigante adormecido, do Leblon, do Jardim Botânico, de Santa Teresa, de Niteroi.
O Brasil em que fui recebida com um vaso de flores e iniciei um turismo familiar com uma festa de aniversário. Este foi um Brasil de festas: de despedida de solteira e de casamento carioca.
Foi o Brasil da segunda visita ao Cristo (a primeira ocorreu num carimbo do anterior passaporte), das palmeiras mandadas plantar por D Pedro, do passeio em redor da lagoa, da segunda subida ao Pão de Açúcar (a primeira aconteceu no carimbo do anterior passaporte) e da descoberta de uma pequena trilha ao seu redor, ao longo da praia vermelha e que segue mar adentro.
Foi o Brasil dos pasteis de catupiry, do açaí, da mousse de chocolate, do bobó de camarão, do divinal camarão na moranga, da caipirinha de maracujá, do empadão e do doce de abóbora com cravinho.
O Brasil dos seus perigos sentidos pela ansiedade dos outros, numa inocência de quem se apaixona pelo Rio e se sente em casa. O Brasil de querer voltar!

carimbo no passaporte # Brasil 2004

O primeiro passaporte foi entregue às autoridades sem que o guardasse para recordação. Tinha carimbos da República Dominicana, da primeira viagem ao Brasil e do Japão!
Prestes a entregar o segundo, vou guardar aqui algumas memórias! A ver como me arranjo nisto, contando apenas com as próprias memórias, sem recurso a fotos, arquivos, nem perguntas aos demais viajantes. Vejamos o que a memória reteve.

Brasil 2004. 

O Brasil de Porto Galinhas, do Recife e de Olinda. 
O Brasil de quase quase perder o próprio passaporte, do biquini verde às bolinhas brancas (que já não tenho) e das havaianas verdes com borboletas cor de rosa (que ainda uso).
O Brasil de praia, mar e queijo grelhado na praia.
O Brasil do menino de 10 anos que não ia à escola e fazia chapéus e outro artesanato, em folhas de palmeira, para os turistas, a troco de alguns reais para ajudar a alimentar a família.
O Brasil da oferta da mini-boneca de trapos "da sorte" (apelidei-a eu!), que ainda está no compartimento das moedas da minha carteira.
O Brasil em que aprendi que o cravinho é uma boa especiaria para afastar o "mofo-deu-lhe" de atoalhados guardados em gavetões.
Um dos vários "Brasis" do passaporte. Mas isso eu ainda não sabia em 2004.

sábado, janeiro 03, 2015

2014-2015

Deixou 2014 antes dele terminar.

Criou um intervalo entre ele e 2015.







Chamou-se Berlim.



Envolveu-se com as suas histórias.
 
 

Chegou a 2015 nelas e na euforia de 1 milhão e 200 mil pessoas, que podem ser todas as suas possibilidades de um ano que se avizinha.



No regresso voltou ao limbo, ao hífen que está entre o 2014 e o 2015. Já não está num ano e ainda não assumiu o outro. Por enquanto o seu momento é esse.

E sim, chegou a fazer o balanço 2014 e foi tão fácil quanto respirar descobrir o seu melhor. E o seu pior também.

Algumas das resoluções de 2015 também já estão prontas.



Não todas, porque isto não tem que ser feito ao ritmo de quem come as passas às 12 badaladas. Curioso é que duas das três mais pensadas já estão quase concretizadas. E ainda está no limbo, no hífen que liga 2014 a 2015!

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Natal Amoroso

AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, dezembro 22, 2014

A profissão levou-me à televisão!

Se há área da vida em que sou flamejada por boas correntes é a área profissional!
Na passada semana dei uma pequena entrevista à TVI, que passou ontem no Jornal das 8h.
Diria que ficou muito bem!
Para quem quiser espreitar está aqui (minuto 10:32)

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Há dias com banda sonora



De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim, calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim