domingo, março 08, 2015

O que os homens mais admiram nas mulheres

O título está no jornal O Observador e eu vou copiar tudo para aqui por ter de novo o prazer do sabor destas palavras!

Para alguns a pergunta foi como uma armadilha, para outros tão difícil como caminhar com uns sapatos de salto alto. Cem homens portugueses foramfotografados para a revista Máxima com uns stilletos desenhados por Luís Onofre em defesa da igualdade de géneros, e agora que o projeto vai ser colocado em molduras, numa exposição que inaugura dia 8 de março no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, deixámos dez desses homens manterem o que tinham calçado mas lançámos-lhes a questão: o que mais admiram nas mulheres?
“Admiro a capacidade de resistência e a capacidade de sofrimento, uma coisa que os homens têm muito menos”, começa por dizer João Tordo, não sabendo se essas características se explicam por “uma questão genética, histórica ou de sensibilidade”. “Admiro também a capacidade de se conseguirem organizar e fazer várias coisas ao mesmo tempo. As mulheres são mentalmente organizadas, enquanto os homens tendem a ser mais obsessivos. Como são mais obcecados, quando têm um problema qualquer, esse problema toma proporções cada vez maiores. Admiro ainda a capacidade para a empatia, uma qualidade importante para reconhecer o sofrimento alheio. Não só o sofrimento mas a alegria. As mulheres são muito mais atentas.”
Companheiro de profissão, o escritor Valter Hugo Mãe, talvez até por uma questão de apelido, não esquece o dom da maternidade: “Admiro que saibam o milagre dos filhos, que possam fazer duas coisas ao mesmo tempo e que, às vezes, me amem.”
Afonso Cruz, que se sentou num sofá qual Pensador de Rodin em saltos altos, para ser captado pela objetiva de Branislav Šimončík, não faz uma distinção de qualidades entre os sexos mas é sensível à questão da beleza feminina: “Falando do carácter ou da alma, que me parece ser definitivamente mais importante, não creio que existam virtudes especificamente femininas. Ou seja, aprecio a bondade, a inteligência, a temperança, o humor, independentemente do género. Por isso, acho que o que mais admiro numa mulher é o corpo, com quem a Natureza (ou o Demiurgo, para quem crê) teve preocupações artísticas. Com os homens foi um bocadinho mais desleixada. Só para dar um exemplo: não precisávamos de pelos no peito.”
As questões anatómicas foram sublinhadas por vários homens interpelados pelo Observador. Veja-se o jornalista João Miguel Tavares: “O que eu mais admiro nas mulheres? Isso é claramente uma pergunta armadilhada. Aquilo que verdadeiramente faz as mulheres serem mulheres são questões anatómicas dignas da maior admiração. Só que, infelizmente, elas não podem ser explicitadas sem um homem correr o risco de parecer deselegante e primário.
Qualquer resposta está, por isso, condenada ao fracasso. Por um lado, se eu disser que aquilo que mais gosto numa mulher são determinados detalhes da sua anatomia, serei imediatamente acusado de misoginia e de objetificação. Por outro lado, se disser que são determinados traços do seu carácter, serei imediatamente acusado de generalização abusiva e de promoção de estereótipos.
Ora, isto só pode significar uma coisa: que esta pergunta foi inventada por uma mulher. E é isso que eu mais admiro nelas: a capacidade que têm de nos empurrarem para becos sem saída, de onde só podemos sair derrotados, de cabeça baixa e rendidos aos seus ardis. Ah, as sereias…”
Ah, as saboneteiras, diz antes Kalaf, dos Buraka Som Sistema: “Admiro a forma ténue, o olhar e os gestos subtis que, sem necessidade de palavras, conseguem carregar uma força transformadora e me fazem querer ser um homem melhor. Admiro-lhes a perspicácia, a sensualidade e a beleza que se estende além dos atributos físicos. E seguindo a linha de pensamento do poeta Vinicius, que tão acertadamente afirmou ‘nádegas é importantíssimo. Grave, porém, é o problema das saboneteiras. Uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes’, nomeio as saboneteiras – termo brasileiro que identifica as pequenas cavidades entre o pescoço e os ombros, área cientificamente denominada de triângulo supraclavicular — como uma das partes do corpo feminino que mais admiro.”
Criado há um ano, no Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2014, para lutar pelos direitos femininos, o projeto da revista Máxima 100 Homens, Sem Preconceitos – Um Passo pela Igualdade, parece ter deixado marcas em todos os homens retratados, de músicos a cientistas, passando por atores, atletas, modelos e médicos – e não só nos pés apertados por sapatos em bico.
“O que mais admiro nas mulheres é o facto de não serem menos que os homens”, diz David Santos, mais conhecido pelo nome artístico que assume quando pega na guitarra e canta ao microfone — Noiserv.
Ljubomir Stanisic, apesar do ar guerreiro com que segura num gancho e domina um enorme atum na arca frigorífica do seu restaurante 100 Maneiras, reconhece uma força suprema ao outro sexo: “O que mais admiro numa mulher é o poder de dizer um não redondo — há poucas pessoas que têm coragem de dizer não. As mulheres são fascinantes exatamente porque são mulheres, não devem querer ser homens.”
Se não fossem mulheres, não seriam metades tão capazes de completar o sexo oposto, sugere o apresentador Manuel Luís Goucha: “O que mais admiro nas mulheres é o que me acrescentam enquanto homem.”
Pedro Lima, por sua vez, volta aos atributos femininos, mais precisamente à “beleza”: “[Admiro a forma] como acordam, como se movem, como respiram, como olham, como pensam, como agem, como sorriem, como choram, como sofrem, como sentem saudades… Como tornam a vida de todos nós mais bela.”
Uma qualidade sublinhada igualmente pelo também ator Pedro Teixeira, que remata: “O que mais admiro nas mulheres é a personalidade, a beleza, a garra, a força… O simples facto de serem mulheres.”
Para admirar estes e outros 90 homens com mais dez centímetros de altura, anote estas datas: 100 Homens Sem Preconceitos – Um Passo Pela Igualdade, inaugura dia 8 de março, às 18h00, no Centro Cultural de Belém. A exposição está aberta ao público entre 9 de março e 2 de abril, das 10h00 às 18h00, e é de entrada livre. Ao mesmo tempo, é lançado um livro com objetivos muito mais do que decorativos: todas as receitas angariadas com cada exemplar, assim como com a venda das fotografias expostas, reverte a a favor da associação Laço, que trabalha na prevenção e apoio às mulheres com cancro da mama.
Porque também se pode admirar isto: as mulheres, juntamente com os homens, fazem as coisas acontecer.

segunda-feira, março 02, 2015

o velório

as árvores sobressaíam da paisagem nocturna, entre o nevoeiro e a chuva leve, porém constante. eram árvores despidas de verde, que exibiam compridos ramos nus, mais pareciam unhas longas, pintadas de preto, saídas de dedos esguios, vindos de mãos finas.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

carimbo no passaporte # 2015-2020


Cá está ele! O novo passaporte! Eletrónico! Prontinho para novos carimbos, que é como quem diz "novas aventuras"! Os dois (ou três) primeiros carimbos já estão planeados! Quantos mais lhe caberão entre 2015 e 2020?!

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

domingo, janeiro 18, 2015

Carimbo no passaporte # Tailândia 2014

 Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Tailândia 2014

Esta foi para mim umas das entradas mais memoráveis na fronteira de um país. E uma saída da fronteira de um país também. 
(E de repente lembrei-me também das memoráveis travessias entre Portugal e Espanha, quando ainda haviam fronteiras e o bacalhau era mais barato do lado de lá e tinha que vir escondido na mala e eu tinha p'raí uns 4 anos e não percebia o motivo de tanto secretismo. Os adultos ficavam nervosos. Eu ficava nervosa pelo nervosismo dos adultos e por não perceber nada do que se estava a passar. E se descobrissem a minha boneca? Era tão mau quanto o bacalhau? E se descobrissem os rebuçados de laranja e limão?! Bom, mas isso nunca deu direito a carimbo no passaporte!)
Voltando à Tailândia, ou melhor, voltando ao Cambodja, que foi por lá que entrei na Tailândia. A pé!
A carrinha que nos levou de Siem Reap à fronteira com a Tailândia não passaria a fronteira. Deixou-nos uns metros antes. Pegamos nas malas e lá fomos num "follow the leader", como já estávamos habituados!
Uns bons minutos para as burocracias da saída - muitos turistas, muito calor. Tudo em ordem. "Follow the leader". Arrasta mala. Sobe escada. Nova fila. Longa fila. O costume, diz o líder. Melhor até que no ano anterior, em que demoraram umas 5 horas. Muito melhor, acho que demoramos umas duas horas. Conversamos uns com os outros, conversamos com os outros dos outros, comemos, havia quem jogasse sudoku. Arrasta mala. Empurra para não passarem à frente - não sou boa nestas coisas!
Estava quase! A ansiedade aumentava! Para que lado vou?! Quero tirar uma fotografia aos pezinhos amarelos que estão impressos no chão, uns metros antes do guiché. Não sou capaz. Estou ansiosa!
Lá fui! Carimbo no passaporte! Lá vieram os outros também!
Depois de descobrirmos uma nova carrinha onde coubéssemos todos e as malas lá fomos para Banguecoque.
Demorei a perceber de que lado se conduz na Tailândia. Havia trânsito. A viagem foi quase toda em contra-mão...
Banguecoque foi, no início, um soco no estômago. Chegada do Cambodja, dos templos de Angkor misturados com as raízes das árvores e entrar naquela gigantesca metrópole não me trouxe amor ao primeiro respiro poluído.
Aos poucos fui-me deixando conquistar. Uma massagem tailandesa ajudou. A gastronomia tailandesa ajudou. Os monumentos ajudaram. O passeio de barco ajudou.
E a cerimónia das almas?! A cerimónia em que os monges saem do mosteiro ao acordar da aurora, descalços, com uma espécie de marmitas no colo e recebem as ofertas de alimentos que que deseja está lá à porta para oferecer. E feliz de mim, completamente conquistada pelo momento, por Banguecoque, que fui chamada por uma delicada sra, que me deu um saquinho de arroz e outro de algo que me pareceu uma carne estufada. Apontou para o monge que estava mais longe de nós, o mais idoso de todos. Segurava-se num andarilho, tinha um colar na cervical e uma cinta a apoiar o resto das costas. Fui, descalça, fazer-lhe a minha oferta, abençoada já pelo que via e por ter tido a oportunidade de lhe levar os saquinhos com comida. Ofereci. Coloquei-me em posição para ser abençoada por ele também. Regressei ao meu grupo com um sorriso vertical, dos pés à cabeça!

carimbo no passaporte #Cambodja 2013-4

 Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade

Cambodja 2013-14

Este é para mim o carimbo mais bonito deste passaporte que me preparo para entregar às autoridades. A experiência no Cambodja foi fantástica, mas não é isso que me faz apreciar o carimbo. As experiências dos outros carimbos foram profundamente maravilhosas. Cada coisa no seu momento. Aprecio mesmo a estética deste carimbo. Mais: ele ocupa toda uma folha do passaporte, pela sua dimensão. Como os outros carimbos, ficou numa página aleatória do passaporte, mas nada se misturará com ele. É por isso, e porque ainda não voltei ao Cambodja desde então, um carimbo único neste meu passaporte!
O Cambodja representa uma das experiências mais diferenciadas da minha vida. Cultura diferente, comida diferente, religião diferente, monumentos diferentes, pessoas diferentes. Toda uma experiência diferente das vividas até então.
O Cambodja é quente, tropical. Tem riquexós que são taxis, mosteiros nos centro da capital e monges que se passeiam de robe alaranjado.
É duro. O Cambodja tem uma história recente dura, que ainda vive na população que se refaz nas ocupações do dia a dia.
O Cambodja tem um grande lago, o Tonlé Sap, no qual se navega por horas e onde se observam aldeias aquáticas de uma das populações mais pobres do planeta.
O Cambodja é demasiado ocidental em Siem Reap, mas conduz-nos a uma história secular em Angkor Thom, onde Vixnu, Ganesh, Shiva e Garuda convivem com Buda.
E no Cambodja já fazem umas maravilhosas massagens, quer com mãos, quer com peixinhos.
E tem uma gastronomia fantástica: leve, aromática, saborosa, divertida até!
O Cambodja tem crianças. Sim tem crianças que fazem parte do nosso imaginário ocidental e que tendemos romantizar, achando que ajudamos a comprar os postais ou pequenos objetivos que vendem na rua. Ajudaremos mais, com toda a certeza, não comprando, brincando com elas e estimulando as idas à escola. Podemos até ser mais activos e associar-nos a uma ONG específica para o efeito. Podemos apadrinhar até uma criança e acompanhar o seu desenvolvimento.
O Cambodja tem cambojanos com sonhos e objetivos, nos quais investem (com mais ou menos risco).
A voltar?! Quem sabe, já que quis o destino permitir-me observar Ankgor Wat apenas à distância.


Cambodja: entrada por Phnom Penh; saída pela fronteira com a Tailândia

carimbo no passaporte # China 2013

                    Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


                                                                      China 2013

Quatro horas contam, certo?! Ou melhor quarto horas em Pequim (aeroporto), um voo de duas horas e duas horas em Guangzhou (aeroporto) contam como estar na China, certo?!
Foi mais ou menos como ler a placa de um destino e dizer-se que se esteve lá! 
Bom, deu direito a carimbo no passaporte. Dava até direito a um dia inteiro no país, mas estava em trânsito para outro destino! Deu direito a estar naquele país! (e à data não sabia que haveria de lá voltar com alguma brevidade! Mas esse é um carimbo que ainda está para vir!).
Em Pequim estava com fome e muito sono, depois de um voo de cerca de 13 horas, vindo de Amesterdão, onde já tinha estado 7 horas em trânsito, depois de ter chegado de Lisboa, onde estive 5 horas no chão à espera desse voo, depois de ter ido para a capital portuguesa no dia anterior, numa viagem de comboio de 3 horas a partir do Porto. Memórias estas as de Pequim! Misturadas com a vontade de sair do aeroporto e visitar a capital chinesa, onde estava -7ºC. E tinha fome e não tinha onde comprar alimentos. Dormi num banco do aeroporto de Pequim.
Mas a estada na China foi pródiga de memórias! No voo que me ligou a Guangzhou experimentei o sonoro comer dos chineses e a limpeza das fossas nasais. Não sei se foi pura coincidência misturada com preconceito meu, mas aconteceu. Com higiene, diga-se! Já que todo o entulho nasal foi guardado num delicado lenço de papel.
Estive em duas cidades (aeroportos) na China! 
Guangzhou foi a segunda. Onde até já estive duas vezes, porque na viagem de regresso repeti esta cidade.
O melhor de Guangzhou foram as pessoas! Verdade! Mas não os chineses, que esses não tive a oportunidade de conhecer. Mas foram a Susana que se dirigiu a mim ao perceber que íamos fazer parte do mesmo grupo de viagem. Afinal até já conhecíamos uma pessoa em comum, encurtando assim a teoria dos seis amigos para apenas um! Com a Susana já estavam a Teresa, a Anabela e a Isabel. Nessa altura o Luís, que já viajava comigo desde Lisboa (embora só nos tenhamos conhecido em Amesterdão) assustou-se e pensou, com os botões dele, e disse para os meus ouvidos "isto vai ser uma viagem no feminino". "Melhor para ti do que para mim", respondi! E nem ele ainda sabia quanto!

carimbo no passaporte # Brasil 2008-9

Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Brasil 2008-2009

A data de entrada não deixa enganar! Este foi um Brasil natalício! A data de saída também deixa antever que este foi um Brasil de réveillon em Copacabana, com cerca de 2 milhões de pessoas e, talvez, o fogo de artifício mais memorável de todos os tempos!
Um Brasil em que o Natal se fez na varanda, com vestido fresco, por conta do calor.
Foi o Brasil da confeitaria Colombo, dos arcos da Lapa, do bondinho para Santa Teresa e do chop no largo do Guimarães. 
Visitou-se o Cristo (pela quarta vez), voltou a percorrer-se a trilha da praia vermelha e conheceu-se a interessante ilha fiscal.
Foi o Brasil de Paraty, do trilho do ouro, da cana do açucar, dos passeios e mergulhos no mar e dos banhos de lama.
Foi um Brasil de despedidas.

sábado, janeiro 17, 2015

carimbo no passaporte # Brasil 2007

Memórias de carimbos num passaporte que passou o prazo de validade


Brasil 2007

Este foi um Brasil maravilhoso, na cidade maravilhosa e um saltinho a Iguaba e a Búzios.
O Brasil da Tijuca, do gigante adormecido, do Leblon, do Jardim Botânico, de Santa Teresa, de Niteroi.
O Brasil em que fui recebida com um vaso de flores e iniciei um turismo familiar com uma festa de aniversário. Este foi um Brasil de festas: de despedida de solteira e de casamento carioca.
Foi o Brasil da segunda visita ao Cristo (a primeira ocorreu num carimbo do anterior passaporte), das palmeiras mandadas plantar por D Pedro, do passeio em redor da lagoa, da segunda subida ao Pão de Açúcar (a primeira aconteceu no carimbo do anterior passaporte) e da descoberta de uma pequena trilha ao seu redor, ao longo da praia vermelha e que segue mar adentro.
Foi o Brasil dos pasteis de catupiry, do açaí, da mousse de chocolate, do bobó de camarão, do divinal camarão na moranga, da caipirinha de maracujá, do empadão e do doce de abóbora com cravinho.
O Brasil dos seus perigos sentidos pela ansiedade dos outros, numa inocência de quem se apaixona pelo Rio e se sente em casa. O Brasil de querer voltar!

carimbo no passaporte # Brasil 2004

O primeiro passaporte foi entregue às autoridades sem que o guardasse para recordação. Tinha carimbos da República Dominicana, da primeira viagem ao Brasil e do Japão!
Prestes a entregar o segundo, vou guardar aqui algumas memórias! A ver como me arranjo nisto, contando apenas com as próprias memórias, sem recurso a fotos, arquivos, nem perguntas aos demais viajantes. Vejamos o que a memória reteve.

Brasil 2004. 

O Brasil de Porto Galinhas, do Recife e de Olinda. 
O Brasil de quase quase perder o próprio passaporte, do biquini verde às bolinhas brancas (que já não tenho) e das havaianas verdes com borboletas cor de rosa (que ainda uso).
O Brasil de praia, mar e queijo grelhado na praia.
O Brasil do menino de 10 anos que não ia à escola e fazia chapéus e outro artesanato, em folhas de palmeira, para os turistas, a troco de alguns reais para ajudar a alimentar a família.
O Brasil da oferta da mini-boneca de trapos "da sorte" (apelidei-a eu!), que ainda está no compartimento das moedas da minha carteira.
O Brasil em que aprendi que o cravinho é uma boa especiaria para afastar o "mofo-deu-lhe" de atoalhados guardados em gavetões.
Um dos vários "Brasis" do passaporte. Mas isso eu ainda não sabia em 2004.

sábado, janeiro 03, 2015

2014-2015

Deixou 2014 antes dele terminar.

Criou um intervalo entre ele e 2015.







Chamou-se Berlim.



Envolveu-se com as suas histórias.
 
 

Chegou a 2015 nelas e na euforia de 1 milhão e 200 mil pessoas, que podem ser todas as suas possibilidades de um ano que se avizinha.



No regresso voltou ao limbo, ao hífen que está entre o 2014 e o 2015. Já não está num ano e ainda não assumiu o outro. Por enquanto o seu momento é esse.

E sim, chegou a fazer o balanço 2014 e foi tão fácil quanto respirar descobrir o seu melhor. E o seu pior também.

Algumas das resoluções de 2015 também já estão prontas.



Não todas, porque isto não tem que ser feito ao ritmo de quem come as passas às 12 badaladas. Curioso é que duas das três mais pensadas já estão quase concretizadas. E ainda está no limbo, no hífen que liga 2014 a 2015!

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Natal Amoroso

AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, dezembro 22, 2014

A profissão levou-me à televisão!

Se há área da vida em que sou flamejada por boas correntes é a área profissional!
Na passada semana dei uma pequena entrevista à TVI, que passou ontem no Jornal das 8h.
Diria que ficou muito bem!
Para quem quiser espreitar está aqui (minuto 10:32)

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Há dias com banda sonora



De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim, calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim

quarta-feira, novembro 19, 2014

O Sr J é mais que a sua HTA

O Sr J já frequenta a consulta de nutrição há algum tempo (anos!). É homem novo, mas já teve um AVC por conta da sua HTA, que tem origem numa doença renal. Importa recomendar-lhe o baixo consumo de sal, de carne e de peixe. Importa que beba muita água, aumente nos vegetais e na fruta. Importa muito que cumpra com a medicação, para a qual nem sempre tem disponibilidade financeira. Por isso importa que lhe sejam fornecidos alimentos e facilitadas outras condições para fazer face às circunstâncias do desemprego. Importa que seja ouvido naquilo que muitas vezes achei ser a ilusão de um novo emprego. Importam todos os cursos que fez que, sem saber, lhe traziam mais saúde, além da sabedoria, dadas as horas que caminhava para a eles chegar. Importa muito a sua mensagem de esperança quando hoje chega à consulta, sempre de sorriso nos lábios, de agenda na mão (mesmo durante os anos de desemprego) e nos diz agora que está de novo empregado, nas empresa em que tinha trabalhado há muitos anos. E que tem cantina e que tem ginásio! 
E eu digo: 
- O Sr J merece!
E ele responde:
- Todos merecem!
O Sr J importa no meu dia!

quinta-feira, outubro 23, 2014

A medida do amor

Não é mais forte nem mais fraco. 
Não é melhor o meu do que o teu. 
É o que completas em mim, o que completo em ti. 
É o que desperta e é despertado. 
É a complementaridade que pode nem ser do todo. 
O essencial é quanto basta.

quinta-feira, outubro 02, 2014

juntos

estavam ambos num daqueles estados de contentamento em que basta sorrir. mas tinham tanto para contar um ao outro que as palavras abundavam entre ambos e atropelavam-se entre temas e desculpas de interrupções e sorriam. não riam. sorriam na timidez de quem apetece gargalhar.

sábado, setembro 27, 2014

no aeroporto

passava pouco das 8h30 daquela manhã de agosto. acabara de chegar ao aeroporto e levava consigo um frenesim interno difícil de definir. sentia-o nos braços, no estômago, no peito. subia-lhe à face e sorria como quem respira.

as "chegadas" do aeroporto estavam apinhadas. havia muitas pessoas por todo o lado. os que chegavam, os que recebiam os recém-chegados e os que esperavam. distinguir entre uns e outros era uma questão de atenção. os sorrisos nas faces de uns ajudavam a perceber quem já tinha recebido os seus, as flores nas mãos de outros indicavam quem tinha chegado, as crianças nos colos dos pais uniam famílias que não se deviam separar.
e esperava. olhava para todo o lado para não escapar a recepção. teria já chegado? eram quase 9 da manhã, entretanto. estaria discretamente sentado? andaria já por ali?! não lhe escaparia por certo. passara-se bastante tempo desde a última vez que se haviam encontrado, mas não lhe escaparia por certo!
não escapou! perto das 9h lá vinha a sair da zona dos passageiros. cabelo negro, pólo bordeaux, mochila às costas, um saco na mão. caminhava com a cabeça erguida à sua procura. já o vira. ainda não tinha sido vista. sorria. sorria como quem respira. viram-se. seguiram-se alguns segundos que não lhe ficaram registados. são os dos passos até ao encontro de um com o outro. não se lembra dos passos. lembra-se dos sorrisos, de braços abertos, não exageradamente abertos, apenas o suficiente para se acolherem. acolheu-a. entregou-se. sentiram-se. e naquela abraço mergulhou para dentro do seu peito. e ficou lá. lá dentro ouviu um beijo sonoro e carnudo na sua bochecha direita. olharam-se com um sorriso que nasce nos olhos e desce até à boca. absorveu a sua cara com as mãos. ele entrou-lhe pelas mãos. olharam-se de novo. não tinha passado tempo algum e o aeroporto tinha desaparecido!

sábado, setembro 20, 2014

excerto de "O segredo de Compostela"

"O mestre explicara-lhe que desde tempos imemoriais, havia gente de sítios distantes, nomeadamente das Gálias, mesmo antes de aquelas terras pertencerem a Roma, que seguia o caminho das estrelas, orientada pela Via Láctea, em direcção ao mar da finis terrae, perto da villa onde viviam. - Mas o que vêm fazer, ao certo, a este lugar? - Nós vivemos num lugar mágico, o último reduto da Terra. É o lugar onde o Sol se põe todos os dias para, no seguinte, voltar a nascer.- Assim, os homens que querem fazer uma viagem interior, para crescerem espiritualmente como homens novos, seguem o caminho das estrelas e vêm render homenagem ao sol, para renascerem com ele na manhã seguinte. -Não entendo muito bem o que dizes... -Um dia, perceberás estes homens especiais, os peregrinos da Via Láctea. Os que viajam em busca da redenção interior, através de um caminho de perfeição. - E porque seguem a Via Láctea? - Porque simboliza o caminho das almas para o outro mundo. Numa noite de luz, repara como ela se orienta do lugar de onde o sol nasce para este lugar, onde se põe...- respondeu o Lívio, passeando o olhar através da abóbada celeste. -Não deve ser muito fácil esse caminho...Normalmente, parecem pedintes e malcheirosos. -É evidente! Os caminhos de perfeição são compostos por muitos escolhos...- Vêm com o único propósito de...se encontrarem a si próprios. Esse é o fim de qualquer peregrinação.”

domingo, setembro 14, 2014

Seja como for, Banda do Mar



Meu bem, você pra mim é privilégio (e elogio!)

Sorte grande de uma vez na vida (de uma, de duas, três e todas as vividas!)
Minha chance de ter alegria (n diria tanto! tenho a felicidade de várias alegrias!)
Não importa quando, como, onde (é que não importa mesmo! mas se o "quando" poder ser com intervalos pequenos será melhor ainda!)
Somos o nosso próprio rei  ... 


sexta-feira, setembro 12, 2014

Mais ninguém, banda do mar

"Mais Ninguém" recebe o prémio de canção mais viciante do fim do verão. Faz parte do disco estreia da "Banda Do Mar" grupo da tripla Mallu Magalhães e Marcelo Camelo (casal de músicos brasileiros residente em Lisboa) e Fred (o omnipresente baterista português, elemento dos Buraka, Orelha Negra, 5-30, e não sei quantas bandas mais).

E não é que faz sentido!!

sábado, setembro 06, 2014

ou um estado de arte

Mantende-vos juntos, 

mas nunca demasiado próximos: 
porque os pilares do templo 
elevam-se, distanciados, 
e o carvalho e o cipreste 
não crescem à sombra um do outro. 
.
in "O Profeta", de Khalil Gibran

sexta-feira, agosto 29, 2014

beijo

há beijos nas costas que se sentem no coração

Para cá desta porta

Para cá desta porta mora um sorriso que nasce no coração, sobe pelo peito e se abre na boca. Para cá desta porta os olhos brilham e a pele faz-se translúcida. Para cá desta porta há mais luz no lusco fusco da intimidade do que nos raios de luz que penetram do exterior. Para cá desta porta há mais estórias do que aquelas para as quais o nosso imaginário nos transporta ao olhar para lá desta porta!

domingo, agosto 24, 2014

Quanto vale o tempo?!

O que cabe em 2 anos?! Muitas histórias, aventuras e desventuras, preocupações e resoluções... 2 anos representam bastante tempo! Mas quanto vale o tempo que se sente que vem de ontem ou, no máximo, de há dois dias atrás e nele estão vividos 730 dias?! Vale o tempo?! Vale o que se sente?! O que vale?!

quarta-feira, agosto 20, 2014

100 passos ou 6 ou todos os sentidos



repleto de tudo o que enche a alma que habita o coração

paladares
cheiros e aromas
tacto
visão
sons
paixão e amor
tudo sentido
todos os sentidos

domingo, agosto 17, 2014

o pós dos bons momentos

os bons momentos têm destas coisas: eles próprios e os momentos seguintes! aqueles em que chegamos a casa e o que queremos é organizar de imediato as fotografias tiradas,partilhá-las, revê-las como que o momento ainda estivesse lá, reviver, sorrir, relembrar e ser feliz no presente! no já passou e no que se revive!

domingo, agosto 03, 2014

Quem bem se quer sempre se encontra!

Cena de filme! Daquelas situações que vemos na ficção, lemos nos livros e quando acontece na vida real é na dos outros! Mas hoje aconteceu a mim! Eia, eia!!
Fui atestar o depósito de gasolina do carro. Coisa que não gosto de fazer, mas tem que ser, aproveitando os fins de semana e o cartão e a promoção porque gasolina é um luxo. E lá fui cumprir a tarefa. Fila, grande fila, bombas em pré pagamento, que não dão jeito algum a quem quer atestar o depósito. Peço autorização para o fazer. Dão-me a autorização. Coloco uns 18 cêntimos e a bomba não desenvolve no abastecimento. Vou de novo pedir a autorização. O Sr confirma que está tudo ok. A aselhice é, portanto, minha! Insisto mais uma vez e desisto. Vou a outra bomba! Isto para quem não gosta da tarefa é o mínimo um bom motivo para se desistir dela, mais ainda quando ainda há alguma gasolina no depósito e se conhece um local onde fazem a tarefa por nós. Mas e a promoção?! Ah, nos tempos que correm a promoção pesa na decisão de ir a outra bomba de gasolina, da mesma marca, no caminho que se faz para casa. Lá vou. Bomba em pré pagamento. De novo! Menina aí não pode atestar. Só nas de baixo. Faço a manobra, não faço a manobra, sigo em frente e vou embora. Lá faço a manobra, luto com o mau feitio que cresce exponencilamente e lá me proponho à tarefa. 60 euros. Lá foram. Tem que ser! Hora de pagar e a promoção não dá. Um papel, outro papel e em ambos falta um dígito. Haja promoção e ainda tinha um terceiro papel para poder usufruir de dita, mas eis que o sr da caixa faz mal a operação e não consegue introduzir a promoção que deveria cair em cartão. Raios! Coriscos! E palavrões a saírem da minha cabeça, quando me dirijo para o carro. Devia ter mesmo deixado para amanhã e ir aos tais senhores simpáticos que fazem o processo por mim, excepto o pagamento, pois claro.
Mas lá ia eu de regresso para o carro, a pensar que pelo menos a tal tarefa que não gosto estava consumada e ouço:
- "BB! Minha BB!!"
Não fazia sentido estar a ouvir aquela expressão. Só a BB do coração me chama assim e não era hora nem dia, nem lugar para nos estarmos a encontrar!
Afinal era! Afinal, o fim de semana em que não seria possivel encontrar-nos fez-nos juntas. Por poucos minutos, certo! Mas o suficiente para o grande xi coração e para os risos e beijos e explicações de quem não gosta de meter gasolina e, ao que parece, nem ela era para estar ali naquele local, naquele momento. Mas estava. Estávamos!

Quem bem se quer sempre se encontra!

sexta-feira, agosto 01, 2014

grilo falante afónico

reconhecida como introspectiva, são constantes os diálogos com o meu grilo falante!
e não é que ele também ficou com voz radiofónica!? ouço-o lá do fundo, com voz seca e rouca!

quarta-feira, julho 30, 2014

Sem pio

Há momentos na vida em que nos faltam as palavras!
A rouquidão é um deles!
A oportunidade para o voto de silêncio quase meditativo.
Ou o corpo a pedir férias!

quarta-feira, julho 16, 2014

o piropo

sai cabisbaixa de timidez, a sorrir para os pés e a pensar só para si nas palavras que acabara de ouvir:

"Está a testar o meu coração! É que sempre que a vejo sinto que anda a testar o meu coração!"

não está! apenas se tinha esquecido dos óculos de sol e teve que voltar para trás. certo é que ultimamente tem lado ido com maior frequência do que o que deseja, mas é um "tem que ser" e um "antes não fosse", porque em 8 meses já foram mais de mil euros!
e não é expedita! demora alguns segundos a interiorizar o galanteio.e lembrou-se entretanto do outro que ficou para a historia - "oh ricas coxinhas!"
fica este também na coleção!

domingo, julho 06, 2014

o bolo

uma missão: fazer um bolo que se queria como presente

o eterno desafio: inspirar-me numa receita simples, alterará-la, recriando um bolo mais saudável e saboroso

(quem me conhece reconhece a incapacidade em seguir uma receita. a minha mente entra em imediato processo de alteração de ingredientes e/ou procedimentos, com vista a um resultado final mais saudável. funciona bem com salgados, pouco com doces, porque lhes altero em abuso as esperadas combinações químicas)

receita original
Ingredientes:
Para o bolo:

2 chávenas de açúcar
2 chávenas de farinha
1 chávena de cacau em pó
1 chávena de água morna
1 chávena de óleo
6 ovos
1 colher de sopa de fermento

Para a cobertura:

4 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de leite
3 colher de sopa de manteiga
1 tablete de chocolate

Para decorar:

Chocolate granulado
Preparação:
Bater todos os ingredientes à excepção da água durante 5 a 10 minutos. Após este tempo adicionar a água e mexer mais um pouco.
Levar ao forno num tabuleiro cerca de 30/40 minutos.

Preparação da cobertura:

Levar todos os ingredientes ao lume ate engrossar.

Uma vez o bolo cozido barre com esta cobertura e enfeite a gosto. (Por opção coloquei chocolate granulado).

a MINHA receita

Ingredientes:
Para o bolo:

2 chávenas de açucar MASCAVADO
2 chávenas de farinha (1 e meia TRIGO 65; meia FLOCOS DE AVEIA E TRIGO 150
1 chávena de cacau em pó (MEIA CACAU+MEIA COCO)
1chávena de água morna (LEITE)
1 chávena de óleo (MEIA DE MANTEIGA)
6 ovos (4)
1 colher de sopa de fermento

Para a cobertura: (NÃO FIZ!)

Para decorar: (NÃO FIZ!)

Preparação:

Bater todos os ingredientes à excepção da água durante 5 a 10 minutos. Após este tempo adicionar O LEITE e mexer mais um pouco. BATI AS CLARAS EM CASTELO!!!
Levar ao forno num tabuleiro cerca de 30/40 minutos.
´
ficou saboroso! 
da próxima acerto melhor com a temperatura e tempo do forno
não guardei a batedeira naquela prateleira de cima do móvel da cozinha, que me obriga a pegar na cadeira para lá chegar porque já estou em processo criativo para novas recriações



domingo, junho 15, 2014

Quando o despertador toca

Cada um tem os seus comportamentos peculiares, mas perceber que os partilhamos com outros dá-nos um sentido de pertença! 
Não estamos sós neste mundo quando existem outros que na hora de programar o despertador não escolhem horários banais, como poderiam ser as 7h30 ou 7h45 ou 8h00 ou algo semelhante. Nãaa...isso é para os comuns! Aqui coloca-se o despertador para um horário em que os minutos sejam os mesmos, isto é: 7h33 ou 7h44 e, sim as 8h00 também servem! Mas conhecemos também quem escolha só os pares ou só os ímpares ou até mesmo aqueles que insistem que o algarismo das unidades nos minutos seja sempre o 7!!! Há para todos os gostos! Dizem que há por aí quem trate estes síndromas!...

terça-feira, junho 10, 2014

o prazer no café

a hora de almoço de sábado (ou de um dia feriado) traz em si prazeres acrescidos

Almoça-se em casa, cozinha-se (às vezes só se aquece, mas cozinhar com tempo seria outro prazer acrescido) e deixa-se para o fim o café. Café de saco, de moagem grossa, feito em máquina de balão. Colocam-se os pós e a água enquanto se prepara o prato da sopa. Sim, os pós: café e cacau. Experimentem e deliciem-se!A máquina fica a ronronar enquanto se almoça. O vapor de água sai pelas laterais e a mistura cai no balão de vidro, libertando um aroma que ganha caminho próprio entre a cozinha e a sala. Anseia-se o momento de beber. Anseia-se o prazer. E depois da fruta lá vem ele: o prazer no café e na sua mistura com o cacau. Bebe-se no sofá e ali se fica, com o sabor nas papilas até que a sesta caia.


quinta-feira, junho 05, 2014

39 dedicatórias

39 dedicatórias repletas de palavras que são desejos, letras que são surpresas, elogios que são carinhos, desenhos que são presentes.

A avó paterna versou como já nos habituou. 
A avó materna deixou a sua marca num beijo carimbado. 
Os padrinhos também me dedicaram as suas palavras e desejos queridos. E como sou uma felizarda, tenho padrinhos de batismo e de coração também, que mais elogios teceram.
Os amigos enviaram postais de longe, fotos do antigamente, ensinamentos chineses, mensagem em Khmer, registaram o companheirismo do trabalho.
Recibi todas as dedicatórias com xi corações e continuo a reenviar estes abraços cada vez que releio uma e outra, como aquela que diz que se gosto de comer bolo dos amigos e dos pais está então tudo bem. E como eu gosto de bolo, dos amigos e dos pais! Ou a outra com o soneto de aniversário de Vinicius de Morais. E não, não foi esta que veio do outro lado do Atlântico. De lá vieram fotos de um passeio com cerca de 12 anos! 
E ainda não tenho palavras para o remate conclusivo deste presente. Concentro-me e releio as mensagens finais, tão especiais!



segunda-feira, junho 02, 2014

A identidade dos 39!

Cá estão eles: o 3 e o 9, que se juntam para formar o 39! Já cá estão há uns dias, contudo sejam as ocupações do dia a dia, as distracções dos mesmos dias, a preguiça dos momentos ou o ócio de tantas ocupações, seja o que for, hoje escrevo sobre o 39!
Podia escolher muitos lugares comuns sobre o 39, mas a vida comum não me rotina. Escolho as 39 dedicatórias que me ofereceram de presente 39 amigos queridos, movidos pela irmã mais amiga do mundo.


Começa assim o culminar dos 39 que são só meus:


sexta-feira, maio 30, 2014

Recomeçar

Recomeçava! Hoje recomeçava o dia! Acordava uns 10 minutos mais cedo. Arranjava-me com outra ligeireza. Teria limpo a areia dos gatos logo pela manhã e levado o lixo para baixo. Saía e chegava a horas. Bem disposta, arejada, pronta para participar antes do intervalo da manhã. Participava de outra forma depois do pingo do meio da manhã. Ouvia mais, diria menos.



Valeu-me o almoço de sopa de alface entre reflexões, a quiche de vegetais entre risos, o café relaxado entre duas bolachas de chocolate.
Redimi-me na tarde. Desejei para o novo grupo de trabalho o interlocutor chave do aceso debate matinal e, como não há coincidências, ambos fomos presenteados com a parceria que nos permitiu o trato respeitoso, cordial e de trabalho de equipa. Valeu-me a tarde, que a manhã não poderia recomeçar.

quarta-feira, maio 28, 2014

O que uma nutricionista aprende: abatanado!

Que estamos sempre a aprender é uma permissa diária! E uma das aprendizagens de ontem, entre outras, foi o siginificado da palavra abatanado. Nunca tinha ouvido uma pessoa referir-se a um café duplo como sendo um abatanado! Agora já sei: café em chávena de chá é abatanado!Pessoalmente é muito! Fico-me pelo curto!
 
 

terça-feira, maio 13, 2014

Em mim!

Ensinou-me o professor das palavras escritas a não ser banal na sua escolha e combinação. Ensinou-me também que as palavras devem despertar a emoção de quem as escreve em quem as lê. 

~

Em mim estou hoje assim! De braços abertos para aumentar a amplitude do coração. De olhos que se viram para dentro para terem um sorriso mais rasgado! Dei a forma do coração à boca para que as palavras ditas sejam apaixonadas! E vou rodear-me das flores que são os meus amigos! E da Natureza que é o meu mundo!

domingo, maio 11, 2014

sábado, maio 03, 2014

Oslo

Uma cidade e logo ao seu lado uma
grande floresta! É como ter o Gerês no fim da linha 4 do metro ou os Açores no fim da linha 6! Uma cidade pacata, limpa e bela! Haverá outras a uns quilómetros daqui! E floresta, muita floresta! E costa, uma recortada orla costeira pintalgada de aldeias de gente simpática. E fui recebida com um verão na primavera e um dia de inverno, que para os de cá será primaveril. Recomendável!

sexta-feira, maio 02, 2014

Este não é um blog de viagens

Pois não é! O que parece é que o meu espaço mental para a escrita surge entre viagens! Não será assim com toda a certeza, mas facto é que as viagens são um dos meus principais interesses e a vida corre muito nos dias dos meus outros interesses e obrigações. E lá vou eu de novo passar um dia entre aeroportos. Reflexões com vista para aviões.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Está quase: antes da partida #4

O escasso contacto que tive com a cultura chinesa deixou vontade para mais! Vi mais do que dois aeroportos. Observei as pessoas que cruzaram o meu caminho. Acredito que quando fizer uma visita à China já estarei mais preparada para o que me pareceu um comum tirar dos sapatos para descansar, a sonoridade do acto de comer e, para mim o mais impressionante, a frequente higiene nasal detalhada e observada!
Estava já na penúltima etapa de voo até ao meu destino. Esta era curta, cerca de duas horas ate Guangzhou, já chamada de Cantão.
Chegada a Guangzhou havia que passar de novo por formalidades fronteiriças. O voo seguinte já me faria chegar a Phnom Penh! Iei!!  Mas se não tive uma entrada imediata na China, a saída foi idêntica. Também não foi imediata. Não cheguei a perceber as duvidas do Sr do posto de controlo dos passaportes. Eram dúvidas em chinês! O Sr recebeu o meu passaporte e olhou. Voltou a olhar e olhou de novo. Comecei a sentir a demora dos segundos e depois de alguns minutos. Não sabia se seria melhor esboçar um sorriso para me demonstrar amigável. Tentei. Não resultou. Tentei de seguida parecer neutra e descontraída. Não resultou. Má performance da minha parente, com toda a certeza. Atrevi-me a perguntar se podia ajudar em algum esclarecimento. Sou uma atrevida envergonhada. Falei tão baixinho o Sr estava tão concentrado nas suas dúvidas que não me ligou nenhuma. Estive nisto uns minutos e lá tive ordem para sair da China. Hei-de voltar!
Em Guangzhou a passagem foi curta mas digna de boa nota. A dimensão da distância ficou mais curta quando vieram ao meu encontro uns sorridentes olhos azuis numa pequena moldura de cabelos loiros livres. Mais uma companheira de viagem, que ficou logo amiga por ser cunhada de uma das mais admiradas colegas e amigas de profissão. E é assim que, de outro lado do meu mundo, o mundo continua a ser meu!
Com esta nova amiga estavam mais 3. Passamos então a ser seis nesta etapa final. Outros seis encontraria no destino.
Estávamos todos animados. Quase todos! O meu companheiro  manifestou em surdina alguma apreensão ao perceber que poderia estar numa viagem no feminino. Sorte a tua, comentei!
E lá começamos a partilhar as etapas já percorridas até aquele momento, as horas a que tínhamos saído das nossas casas, que episódios tínhamos tido até ao momento e, claro, as expectativas do que nos esperava!

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Mais uma pausa, antes da partida #3

Aterrada em Pequim, passei às formalidades. Sair do avião, sair da área internacional, entrar em Pequim, check in, mais uma partida para Guangzhou, antes da etapa final. Mas vamos por partes, já que não foi tudo assim tão sem acontecimentos dignos de nota.
Estava encantada por estar na China, por estar em Pequim. Não ia sair do aeroporto por ter apenas 4h30 de escala, mas estava encantada na mesma e tinha direito a um carimbo no passaporte. Não é fácil perceber dentro de nós, e muito menos fácil explicar para o exterior, como um carimbo num livrinho de papel que por lei não nos pertence pode deixar-nos assim entusiasmados. Deve ser "alimento" para a nossa criança interior. Só pode! Não exteriorizo muito, mas sim, folheio o passaporte e vejo os carimbos todos desordenados nas folhas e sorrio! Ah, mas isso são as lembranças dos locais que os carimbos representam!
Na área internacional do aeroporto de Pequim não me queriam deixar entrar no país. Olhavam para a minha rota de viagem e não deviam perceber nada, já que estava em português. Como eu não tinha visto para ficar no país, nem cartão de embarque para sair dali para fora mandaram-me para um canto. Eu e mais um casal que já lá estava e outro europeu, que afirmava que queria mesmo era ir para as Filipinas, e mais outro e outro e fomos-nos amontoando. Estava tranquila! Éramos vários naquela situação, por isso, tudo se iria resolver. E eu não estava propriamente com pressa. Os meus companheiros, o de viagem e o de etapa, é que já estavam mesmo na China. Entretanto, veio um agente da autoridade chinesa - lembrei-me do sr detido dentro do avião - que começou a organizar o amontoado de pessoas que não tinham conseguido passar a fronteira. Chegou a minha vez e mostrei as evidências que tinha que o meu destino final era Phenom Penh. Só depois de me deixarem passar, de fazer o check in e obter o cartão de embarque teria provas mais evidentes que de não iria ficar ali, pelo menos nesta viagem! Era preciso tirar o rabo da boca desta pescadinha! Lá fomos todos!
E eu fui dormir para um banco do aeroporto. Não tinha cérebro que acompanhasse as leituras desejadas e não havia nada de interessante por ali.
Mal nos foi possível fizemos (eu e o companheiro de viagem) o check in e entramos de novo. Estávamos agora na área de voos asiáticos e foi uma decepção porque o aeroporto de Pequim está organizado de uma tal forma que não permite aos viajantes em trânsito verem o que quer que seja de interessante. Não tínhamos nada para ver, nem para comer e ainda faltavam umas 2 h para embarcar de novo. Partilhei o que tinha com o meu companheiro de viagem. Não tinha rede móvel, nem wi fi. Estávamos numa sala de embarque com outros passageiros e vimos todos a embarcarem. Uns foram para o o Japão (não me lembro da cidade, mas o nome devia ser japonês), outros (a maioria) para as Filipinas e nós e uns pouco mais fomos os últimos a ir para Guangzhou. Entretive-me de várias formas! Uma das brincadeiras foi procurar ver de onde era cada pessoa. Devo ter dado várias vezes nas vistas a torcer a minha cabeça para procurar a origem no passaporte de cada pessoa. De onde é este? E aquela? Humm, este parece ser de... será? O meu companheiro de viagem apostou que um casal, nos seus 50 anos, seria do Cambodja e estaria emigrado em França. Fazia sentido. Pareciam do Cambodja nas suas faces asiáticas em pele bastante morena, tipo indianos. E ele tinha conseguido ver o passaporte francês. Criei-lhes uma história de vida! Passaram a ser para mim pessoas de sucesso, com vida simples, em França, nos arredores de Paris (ai o meu portuguesismo!), depois de terem conseguido sair de um país massacrado.
Entretanto embarcamos! Ah, mas connosco foi uma figura importante. Sabe-se lá quem era, exigia comitiva, exigia que a fila de embarque parasse para que "sua figura importante e comitiva" passassem à frente e exigia primeira classe, claro está!

sábado, fevereiro 01, 2014

"Aqueles que passam por nós não nos deixam sós. Deixam um bocadinho deles, levam um bocadinho de nós", Antoine de Saint-Exupéry



E lá foi! Já era mais do que tempo para ir. Há muito que desejava e (des)esperava. Merece ir, merece estar lá, aproveitar os dias novos que se lhe apresentam.
E antes disto passou por mim, passou uns bons anos. E não me deixou só, nunca me deixou só! Passou e deixou-me palavras e bons silêncios, ouvidos, almoços, lanches e jantares e cafezinhos, chazinhos, bolachinhas, compotas e marmeladas com resumos de fim de semana, de dias anteriores e programas para próximos dias.E deixou-me pêlo de gatas! Deixou-me bons autores e bons passeios! E deixou-me agulhas e fios e tricots!
E levou-me outro tanto com outras ideias, visões e até alucinações!

sábado, janeiro 25, 2014

Até Pequim com o Shane de Norwich, partida #2

Vamos lá que este ainda não é o destino final! (mas só de saber que ia estar umas horas em Pequim fiquei com muita vontade de "espreitar"...vai para a lista!) 
Fui-me deixando para o fim da fila no embarque apenas para observar quem passava. Lá estava o suspeito companheiro de viagem, agora na companhia de um outro! Já são dois, pensei! Até doze ainda faltam 9 (eu também conto!). Estava enganada...
E por me ter deixado para o fim da fila não tinha onde colocar a mochila da cabine! O avião era grande, as pessoas muitas e já estava muita coisa guardada e eu não ia chegar à bagaceira superior! Uma suposta simpática assistente de bordo prontificou-se a fazer de conta que me iria ajudar! Com um sorriso rasgado sugeriu-me que optasse por deixar a mochila mais para a frente em relação ao local onde me iria sentar - sempre era em caminho para quando fosse hora de sair do avião, umas 10h depois daquele momento! Lá fui enquanto olhava para as bagageiras superiores à procura de lugar para a mochila e a pensar comigo própria: "como é que eu vou lá chegar?" Lá surgiu um espaço para colocar a mochila e nesse momento percebi que as assistentes de bordo fazem questão de demonstrar que não estão ali para nos ajudar a colocar mochilas nas bagageiras. Uma outra assistente apontou o lugar e nada mais! E lá me estiquei. Bicos de pés, estica barriga, levanta braços com uma mochila que deveria estar a pesar uns 4 kg (mais coisa, menos coisa), equilibra, desequilibra, tende para trás, abdominal puxa-me para a frente e lá sinto um empurrão vindo não sei bem de onde, que enfia a mochila no seu lugar! Figurinha...
Volto para o meu lugar e fico mesmo sentada entre o suspeito nº 1 e o suspeito nº 2. Coincidências ou talvez não! Trava-se aí a primeira troca de palavras:
- Vais para Phnom Penh, certo? - perguntou o suspeito nº 1, que passaria nesse momento a ser o primeiro companheiro da viagem.
- Sim, respondi. Faço parte do grupo da passagem de ano da Nomad. Claro que já não me lembro se foram exatamente estas as palavras que trocamos, mas foram nesta linha de pensamento.
- Olha esse é o Shane! Fica à vontade com ele. O rapaz é simpático. Travou conversa comigo aqui em Amesterdão. Vai para Pequim.
Ah, ok! Afinal, o 2º suspeito era um companheiro de etapa e não um companheiro de viagem.
- Hello Shane! My name is Tânia.
- Hi Tânia. Pleased to meet you. I'm Shane, from Norwich.
E dei por mim a pensar na criação de canários do meu pai. Não disse nada sobre os canários, porque naquela primeira troca de palavras percebi que Shane teria assunto para toda a viagem! Seriam 9h30 de voo.
E Shane teve mesmo reportório para todo o caminho (no ar não se deve usar a expressão "caminho"). Contou-me como conheceu a sua namorada chinesa, que teria ido estudar para Norwich. Tinha origem numa província da China perto da fronteira com a Coreia do Norte e pertencia a uma família muito tradicional. Como tal, a família não aceitava este namoro. O seu pai dizia mesmo que nem que o Shane aprendesse a falar chinês (e o pai dizia isto por saber da baixa probabilidade de tal acontecer) consentiria o namoro entre os dois. Como o pai da namorada do Shane (não soube o nome dela) pertencia à polícia, a namorada teve que marcar estadia em hotéis fictícios para que ninguém desconfiasse dos encontros entre os dois. Seriam três semanas de férias clandestinas, à revelia da família. Seria uma história de amor, se o próprio Shane não a desacreditasse logo à partida. Não acreditava naquela relação e, segundo ele, o mais provável seria terminar a relação no fim da viagem. Perdi interesse na estória naquele momento.
Mas Shane era figura! Por vezes certificou-se se eu estaria mesmo a dormir...deixaria de estar nesses momentos! Encomendou o menu do comandante. Não sabia que o comandante tinha um menu especial e muito menos que poderia ser encomendado online por 20 euros. Não aprecio este tipo de diferenças entre pessoas. Espreitei curiosa para perceber o que o compunha: sushi e sashimi de entradas, uma carne estufada de prato principal, fruta e doce de sobremesa e um espumante! Eu fiquei bem com o meu jantar, mas não me recordo o que era. O cérebro estava em modo de repouso e só gravou o seria diferente do habitual, ainda que tivesse comido uma refeição chinesa.
Chegados a Pequim, como acontece quando um voo chega a algum lugar, e se calhar um bocadinho mais em voos tão loooonnnggooooooossss estávamos todos ansiosos por sair daquele avião, de esticar as pernas, de tratar da burocracia para a próxima etapa. Mas as portas não abriam. Esperava sem pensar em nada em particular, quando um polícia chinês vem em "contra-maré" avião adentro. Falava falava e só alguns o estariam a entender. O cansaço lentificava-me o raciocínio e prolongava até o tempo de reação à admiração daquele momento. O polícia apontava, falava chinês e queria que alguém lhe desse algo, assim imaginei pelos gestos que fazia. Um sr, que esteve a viagem toda sentado ao lado do meu companheiro de viagem, entregou-lhe o passaporte. O polícia leu o passaporte e gesticulou (falou também mas de nada me valia prestar atenção às palavras) indicando que esse sr o acompanhasse. Não tendo capacidade de perceber o que quer que fosse do que diziam, devo ter acordado nesse momento de tensão dentro do avião e deixei-me atenta à linguagem corporal de ambos. O polícia mostrava bem a autoridade. Era um polícia alto para a média do observado nos chineses, de ombros largos, com voz alta e firme. O sr que o teria de acompanhar ficou nesse momento mais pequeno do que a média dos chineses, baixou a cabeça e senti que desejou que ninguém lhe visse a cara, que estava tão vermelha, que se lhe percebia o calor e o acelerar do coração. O que teria feito? O que lhe ira acontecer?!
Saímos depois nós, rumo à burocracia, mais umas horas de espera até à próxima etapa.

domingo, janeiro 19, 2014

Antes da partida #2, um dia em Schiphol

Entre a partida #1 e a partida #2 há um gap de 7h30 em Schiphol, o aeroporto de Amesterdão.
Cheguei com tanto, tanto sono a Amesterdão! Uns dias antes, acreditava que iria sair para a cidade!...
O que melhor me lembro foi de ter encontrado um oásis. Um espaço de descanso com cadeiras reclináveis (já que as colocaram lá poderiam ter optado por umas que permitissem levantar as pernas!), oliveiras, som de água a cair, passarinhos a cantar. Avistei uma cadeira livre! Fui! Não queria ficar no chão, como já tinha acontecido em Lisboa!
Dormi umas duas horas! No momento não me pareceu muito confortável e o sono não foi muito profundo. Mas hoje, já com uns dias de distância, percebo que foi uma dádiva de descanso!
Entretanto, acordei, telefonei aos que me tinham em cuidados, tomei um pequeno-almoço (era já o segundo) e fui passear!
Passeei por Schiphol e não vi tudo! Muito grande o aeroporto. Só depois de algum passeio é que percebi que estava ainda na "Europa". Ainda não me tinha deslocado para a área dos voos intercontinentais! "Bora lá"! Se a "Europa" é deste tamanho, imagino o "shopping" intercontinental!
Mostrei o passaporte e transpus a barreira!
A área intercontinental era muito mais interessante! A começar, a mistura cultural de pessoas, que nos permite reconsiderar-nos e perceber que existem muitas outras formas de ser, de parecer, de viver! Era uma área muito maior! Poderia ir para um hotel, para uma biblioteca, se preferisse poderia fazer uma massagem, ir a uma enoteca, para não falar da diversidade de compras! Escolhi ir para a "sala"! Fui dormir de novo!
Schiphol tem na área intercontinental umas três salas de estar que são elas próprias um descanso. Parece que estamos em casa, com tapete no chão, um piano de cauda, um espaço para "televisão" que faz um jogo de cromático tranquilizante, vários sofás e cadeiras com formatos anatómicos para uma ou duas pessoas. Umas parecem ovos e ficamos completamente lá dentro, outras são "chaise longues", outras parecem "Ss" mas nós encaixamos nelas na perfeição. Fui para um "S". Dormi mais não sei quanto tempo!
Acordei de novo. Almocei. Passeei. Troquei de roupa como que para me enganar que estava de roupa fresca. Falei de novo com a família, mas a internet já pedia euros!
Rapidamente passaram as 7h30 e estava na hora de entrar para o próximo avião. O Jumbo estava à minha espera! Seriam agora 9h30 até Pequim! Sabia que tinha filmes, tinha o meu livro que ainda não tinha conseguido ler e tinha sonooooooo!

sábado, janeiro 18, 2014

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Partida #1

Deixei o Natal em casa e fui!
Tinha quase 48 horas de viagem pela frente! Tinha livros. Tinha alguma comida (ainda tinha os nutri-pensamentos ativos!). Tinha tempo. Não sabia ainda que ia ter tanto sono. Imaginava um desconforto pior do que o que foi vivido.
A viagem começou de comboio: Porto-Lisboa. Tudo como o previsto! Um soninho ligeiro!
O meio de transporte seguinte foi o metro para o aeroporto. Como o previsto, mas com alguma ansiedade. Não gosto de aventuras tardias no metro! Coisas da minha imaginação!
Chegada ao aeroporto sabia que tinha umas 5 horas de espera até à primeira partida aérea. Tinha livros. Tinha comida. Não tinha vontade de ler. Ainda não tinha fome. Se calhar devia ter sono. Não tinha onde me sentar. Sentei-me no chão. Levantei-me. Mudei de lugar. Escolhi outro chão. Fui à casa de banho tirar roupa porque era verão dentro do aeroporto. Vim para um novo chão. E estive nisto umas 3 horas, entretida a observar as posições em que outros procuravam descanso. Imaginava-me pouco confortável em algumas posições. Lembrava-me da minha lombar. Estava no chão!
O chek in abriu e tratei do assunto para poder "entrar", que é o mesmo que dizer - mudar de lugar por mais uma hora e uns trinta minutos. Uma outra ida ao wc e não estão todas aqui descritas. Fiz várias para passar o tempo. Até refiz um pouco a mala, fazendo algumas trocas entre a mala de porão e a bagagem de mão. Um passeio para entreter. Procurei wifi, mas faz-se luxo ainda por cá. Talvez tenha lido, já não me lembro. E voltei a observar os outros, desta feita sentada numa cadeira e com as pernas apoiadas noutra na lateral. Estava torta! E ainda ouvi aquele que apostava ser o primeiro companheiro de aventura. Deixei-me estar.
Embarcamos e voamos. Já estava com sono! Faço um esforço por respeitar o momento de demonstração das medidas de segurança, mas ultimamente tenho dificuldade em estar atenta a todos os detalhes. Não me lembro. Devo ter adormecido.