quinta-feira, abril 19, 2007

Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Morais

5 comentários:

Joana disse...

Cantado mais bonito é:)

Sofia disse...

Quanta verdade neste poema prima!!!!

bj

Caucau disse...

De repente tudo se transforma. E é tão bom!

Desambientado disse...

LIndo, lindo...
Na tentativa de homenagear as pessoas amigas, nomeei-a para um Tinking blog award. Você foi uma das pessoas que mais me fez pensar.

Um beijinho

Félix

Fifteen-one-nine disse...

É a tal formiga no arroz